Estudo epidemiológico e georreferenciamento dos traumatismos bucomaxilofaciais atendidos na clínica de cirurgia oral da UFVJM

Autores

  • Julia Sena Medeiros Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Marina Rocha Fonseca Souza Universidade Federal de Minas Gerais
  • Nathalia Moore Canarim
  • Salomão Emanuel Falci Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Igor Gabriel Santos Silva Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Flávia Regina De Jesus Carvalho Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Saulo Gabriel Moreira Falci Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.474

Palavras-chave:

traumas faciais, epidemiologia , fraturas maxilomandibulares

Resumo

Introdução: Traumatismos faciais são caracterizados e definidos como um conjunto de alterações funcionais e anatômicas provocadas à face através de meios agressivos, violentos ou acidentais. Uma vez acometida, a região facial tende a sofrer danos tanto nas partes moles quanto nos tecidos duros e, quando não tratadas de maneira adequada, podem acarretar sequelas estéticas, funcionais e emocionais. A etiologia dos traumas bucomaxilofaciais é bastante heterogênea e a origem pode estar relacionada aos determinantes sociais, mudanças no cotidiano urbano e rural e nas relações interpessoais. O georreferenciamento desses dados permite entender o modo de distribuição e frequência dos traumas, identificando possíveis causas dessa problemática e, possibilitando assim, que medidas sanitárias e de segurança sejam elaboradas para diminuir a casuística dos traumatismos faciais. Objetivos: realizar o levantamento epidemiológico e o georreferenciamento de dados coletados nos prontuários dos pacientes vítimas de traumatismos bucomaxilofaciais atendidos na Clínica de Cirurgia Oral da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e tratados pela equipe de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Santa Casa de Caridade de Diamantina. Metodologia: este trabalho é caracterizado como um estudo transversal retrospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFVJM (Nº 5.440.591). Realizou-se um levantamento epidemiológico e socioespacial, cujas amostras foram retiradas dos prontuários de pacientes vítimas de traumatismos bucomaxilofaciais, atendidos na Clínica de Cirurgia Oral da UFVJM e encaminhados ao Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da SCCD. Os autores elaboraram uma ficha de coleta de dados, os quais foram digitalizados e transcritos para uma tabela padronizada, utilizando o software Microsoft® Office Excel 2019. O georreferenciamento dos dados relacionados aos traumas e lesões de acordo com o local onde ocorreram, foram feitos por um profissional habilitado no uso do pacote estatístico Power BI e pelo software Microsoft® Office Excel 2019, o qual permite a visualização socioespacial dos dados requisitados. Resultados: foram analisados um total de 395 prontuários. Destes, 348 prontuários (88,1%) cumpriram os requisitos pré-estabelecidos de inclusão e 47 prontuários (11,9%) foram descartados da análise por não atenderem aos critérios de elegibilidade, como a ilegibilidade e/ou rasuras, sem a assinatura dos pacientes na ficha clínica     ou com a documentação faltosa. Por se tratar de um estudo retrospectivo que abrangeu os anos de 2017 a 2021, pôde-se observar a distribuição dos pacientes atendidos na Clínica de Cirurgia Oral da UFVJM em cada ano, tendo o ano de 2018 apresentado a maior porcentagem de atendimentos realizados (n = 99; 28, 4%) e, em contrapartida, o ano de 2020 com a menor demanda registrada (n = 17; 4, 8%). A predominância de fraturas e lesões em pacientes foi no sexo masculino (n = 274; 79,2%), com a maioria de indivíduos apresentando-se na faixa etária dos 21 aos 30 anos de idade e solteiros (n = 98; 28, 2%). Esse fato pode ser justificado pelo estilo de vida dos homens, uma vez que são eles a grande maioria de condutores no trânsito, ocupam posições de trabalhos e atividades de risco, participam de atividades esportivas de maior impacto interpessoal e ainda são os indivíduos que mais consomem  álcool e drogas, residentes das zonas urbanas e, principalmente, com naturalidade da cidade de Diamantina-MG. A maioria dos pacientes atendidos apresentavam tipos de lesões associadas aos traumas em tecidos moles e tecidos duros, com sinais e sintomas condizentes com os mais diversos tipos de fraturas bucomaxilofaciais. As lesões mais recorrentes relatadas neste estudo foram os traumas em tecido mole, seguidos pelas fraturas de mandíbula. A principal etiologia dos acidentes que resultou em algum tipo de traumatismo facial  foram os acidentes automobilísticos, associando-os à imprudência dos condutores, à falta de fiscalização e do cumprimento das normas de trânsito, especialmente nas regiões rurais e, principalmente, à combinação entre álcool e drogas com a direção. Os acidentes com motocicletas apresentaram uma maior prevalência e, na maioria das vezes, os pilotos não estavam com os equipamentos de proteção individual necessários ou o uso destes equipamentos não estava sendo feito de maneira adequada. Para a avaliação da correlação entre os casos de violência interpessoal, grau de relacionamento com o agressor, local físico onde ocorreu a agressão e o mecanismo da agressão, a  amostra não foi expressiva. Acredita-se que o principal motivo para que haja essa falta de informações nos prontuários seja o receio das vítimas em relatarem o ocorrido, especialmente quando se trata de pacientes do sexo feminino. Conclusão: Os traumas de face são lesões que trazem diversos prejuízos estéticos e funcionais às vítimas e podem ser consideradas graves problemas de saúde pública em todo o mundo. Além de promover um estigma social pela possibilidade de deformação do perfil facial, o tratamento para as alterações de função torna- se cada vez mais complexo com o decorrer do tempo. Recomenda-se que mais estudos epidemiológicos nesta área sejam realizados para que, em conjunto, possam traçar melhor o perfil dessa problemática e para que forneçam mecanismos que compreendam de maneira mais eficaz a epidemiologia do trauma facial.

Downloads

Publicado

2024-02-22

Como Citar

Medeiros, J. S., Rocha Fonseca Souza, M., Moore Canarim, N., Emanuel Falci, S., Santos Silva, I. G., De Jesus Carvalho, F. R., & Moreira Falci, S. G. (2024). Estudo epidemiológico e georreferenciamento dos traumatismos bucomaxilofaciais atendidos na clínica de cirurgia oral da UFVJM. REVISTA DO CROMG, 22(Supl.4). https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.474