Nitidez na utilização do flúor em crianças

riscos e benefícios

Autores

  • Edwin Cardoso Neves Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Wallace Freitas de Oliveira Pontifícia Universidade Católica – PUC Minas https://orcid.org/0000-0002-7693-5086
  • Marciel Pereira de Macedo Faculdades Unidas do Norte de Minas
  • Valéria Medeiros Claudino https://orcid.org/0009-0003-2191-4047
  • Maria Rita Lima Lopes https://orcid.org/0009-0008-1298-4330
  • Letícia Morena Carvalho de Almeida
  • Paula Cristina Pelli Paiva
  • Haroldo Neves de Paiva

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.523

Palavras-chave:

cárie dental, suscetibilidade à cárie dentária, fluorose dentária, esmalte manchado

Resumo

Introdução: As crianças aparentam ser o grupo etário mais susceptível a doença cárie, por apresentarem uma função motora insatisfatória, que não permite realizarem uma adequada higiene bucal, além de terem preferências alimentares pautadas em alimentos ricos em carboidratos refinados como a sacarose. A combinação de uma dieta rica em carboidratos, higiene precária e condições socioeconômicas desfavoráveis resultam constantemente em lesões de cárie, entretanto a doença cárie é crônica e demanda o elemento tempo como variável para a progressão das lesões, que podem ser desde manchas brancas em esmalte até a destruição completa do elemento dental. A etiologia da cárie é a presença do biofilme composto por bactérias que quando não removido pela limpeza mecânica e em contato com carboidratos fermentáveis excretam ácidos que desmineralizam o esmalte dentário. Tendo como um dos principais agentes de combate, o flúor, que age no processo desmineralização e remineralização, atuando com ligação nos cristais de hidroxiapatita, substituindo o íon hidroxila pelo íon fluoreto, formando um novo cristal de fluorapatita, que é mais resistente ao processo de desmineralização. A fluorose dentária tem sua manifestação associada a ingestão crônica do íon flúor durante a fase de amelogênese, como consequência surgem defeitos na formação desse esmalte, diretamente proporcionais a quantidades ingeridas, variando de manchas brancas até manchas acastanhadas de maior intensidade. Diante desse paradigma entre as doenças cárie e fluorose, torna-se extremamente necessário o estudo sobre esse tema, a fim de se determinar níveis seguros de exposição ao flúor tópico e sistêmico, além de reforçar a importância da prevenção dá cárie que é uma das afecções mais prevalentes que existem. Objetivos: O objetivo desse trabalho foi verificar na literatura existente os graus de manifestações dessas afecções e associa-los com a exposição ao fluoreto, seja de forma tópica ou sistêmica, e a relação com a presença da cárie ou da fluorose. Metodologia: Foram selecionados artigos datados e publicados nos últimos 5 anos. Realizou-se buscas nas bases de dados Scientific Electronic Library (Scielo) e Google Acadêmico. Foram cruzados com o operador booleano AND os descritores “cárie dental”, “suscetibilidade à cárie dentária”, “fluorose dentária” e “esmalte manchado”. Os critérios de inclusão foram artigos completos; publicados em português, entre os anos de 2018 a 2022 e disponíveis na íntegra. Já o critério de exclusão foi: a não pertinência ao tema. Resultados: Foram identificadas 25 publicações e selecionou-se ao final 5 publicações. As alterações encontradas estão intimamente relacionadas a exposição ao fluoreto, seja pela ausência, ou pela ingestão constante durante a fase de amelogênese. A principal demanda resultante da manifestação da fluorose dentária é a estética, que fica comprometida quando a doença atinge níveis de alterações significativas em dentes anteriores. A cárie dentária, que varia de lesões incipientes em esmalte até lesões profundas que atingem a polpa dental e em determinados casos pode provocar a perda de elementos dentários, afetando a estética, a fonética e a função mastigatória dos pacientes.  Conclusão: Conclui-se que homeostase da cavidade bucal passa por um processo de exposição a níveis ideais de fluoretos tanto de forma tópica quanto de forma sistêmica, o que seria a concentração ótima em casos de água de abastecimento com 1,5 miligrama de flúor por litro de água e de dentifrícios com no mínimo 1.000 ppm (partes por milhão). Com essa adequação se mantém um equilíbrio entre a ausência da doença cárie e a não manifestação da fluorose dentária. É importante ressaltar que o flúor nas devidas proporções é extremamente seguro para o ser humano, sendo um íon encontrado em abundancia na natureza, encontrado inclusive no chá preto, umas das bebidas mais consumidas no mundo. Portanto fica evidenciado que os benefícios do fluoreto sobrepõem seus potenciais riscos desde que guardadas as devidas proporções e instruções de utilização, sendo de grande importância no combate da doença cárie.

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Publicado

2024-02-22

Como Citar

Cardoso Neves, E., Freitas de Oliveira, W., Pereira de Macedo, M., Medeiros Claudino, V., Rita Lima Lopes, M., Morena Carvalho de Almeida, L., Cristina Pelli Paiva, P., & Neves de Paiva, H. (2024). Nitidez na utilização do flúor em crianças: riscos e benefícios. REVISTA DO CROMG, 22(Supl.4). https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.523