O laser de diodo pode ser utilizado em tratamentos endodônticos de dentes decíduos?
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.564Palavras-chave:
dente decíduo, endodontia, lasers de diodoResumo
Introdução: Evitar a contaminação do tecido pulpar de dentes decíduos é um desafio constante para a Odontologia, uma vez que o tratamento endodôntico desses elementos é dificultado pela anatomia pulpar e pela possível presença de bactérias Enterococcus faecalis. Nesse sentido, diversos estudos são desenvolvidos com a finalidade de se eleger protocolos de desinfecção eficazes para dentes decíduos infectados e, atualmente, muito se tem pesquisado sobre o uso do Laser de Diodo (LD) nessa temática. Objetivo: Realizar um levantamento da literatura recente com o objetivo de discutir o uso do laser de diodo no tratamento endodôntico de dentes decíduos, visando a eliminação de bactérias e desinfecção dos canais radiculares. Metodologia: Executou-se busca de artigos com livre acesso indexados nos últimos dez anos na plataforma Pubmed por meio dos descritores em inglês “Diode laser”, “Primary teeth” e “Endodontics”. Onze estudos foram encontrados, porém quatro foram excluídos por não estarem relacionados com o objetivo do presente trabalho. Resultados: Dos sete estudos, quatro demonstram eficácia no uso do laser de diodo para desinfecção dos canais radiculares. Três estudos focaram-se na ação do LD contra bactérias Enterococcus faecalis, sendo que no primeiro deles notou-se que técnicas de irrigação ativada por laser de diodo e desinfecção fotoativadas demonstraram melhores resultados quando comparadas à técnica da irradiação direta com laser na eliminação de Enterococcus faecalis; de acordo com o segundo trabalho, ao comparar o efeito desinfetante do LD, Triphala e Hipoclorito de Sódio (NaOCl), observou-se que o grupo laser apresentou significativa redução na contagem de colônias em comparação aos demais grupos. O terceiro trabalho não demonstrou resultados satisfatórios para o LD e concluiu que o hipoclorito de sódio é o agente mais eficaz contra o Enterococcus faecalis. Alguns autores relatam que o efeito bactericida de um LD é baseado em suas propriedades térmicas, em seu poder de penetração e na incapacidade das bactérias desenvolverem resistência à exposição ao laser. Três estudos compararam o uso do LD, hipoclorito de sódio e clorexidina 2% como irrigantes de canais e os resultados foram contraditórios; um demonstrou que o hipoclorito de sódio e a clorexidina 2% são mais eficazes do que o LD; o outro concluiu que o laser em combinação com NaOCl é o método mais eficiente; e outrem demonstrou que o LD é mais eficiente do que a clorexidina 2%. Um artigo comparou radiograficamente, durante doze meses, dentes in vivo com pulpotomias realizadas com laser de diodo, formocresol e sulfato férrico. Os autores constataram que o grupo LD apresentou maior taxa de insucesso, sendo o alargamento do ligamento periodontal e a radiolucência periapical as principais falhas radiográficas evidenciadas. Todos os estudos concordam que, independente do método de desinfecção a ser utilizado, é imprescindível que haja um correto preparo biomecânico dos canais e que a intervenção seja feita logo que identificada sua necessidade, uma vez que postergar o tratamento pode ocasionar esfoliação precoce do dente decíduo, contaminação do dente permanente em formação ou prejuízo em sua erupção. A diferença dos achados nos estudos pode ser explicada devido às variações nos parâmetros de aplicação do laser, incluindo potência, frequência e tempo de exposição. Conclusão: Os resultados encontrados são contraditórios e não permitem evidenciar com clareza os efeitos do LD no tratamento endodôntico de dentes decíduos, sendo necessários mais estudos sobre a temática.
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