Fatores associados à cárie dentária em primeiros molares permanentes

uma avaliação longitudinal

Autores

  • Raphael Sá e Rocha Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Luana Víviam Moreira Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Gabrielly Fernandes Machado Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Maria Letícia Ramos Jorge Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Priscila Seixas Mourão Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Rafaela Lopes Gomes Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Joana Ramos Jorge Universidade Federal de Minas Gerais
  • Izabella Barbosa Fernandes Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.571

Palavras-chave:

cárie dental, fatores de risco, estudos longitudinais, molar, dentição permanente

Resumo

Introdução/Justificativa: Ainda no século XXI, a cárie dentária é considerada um problema de saúde pública global, prejudicando a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos afetados. A superfície oclusal dos primeiros molares permanentes estão mais susceptíveis ao desenvolvimento de cárie devido ao período prolongado de erupção, anatomia propícia ao acúmulo de placa bacteriana e uma maior dificuldade de higienização. Dessa forma, é de suma importância a caracterização e o controle das causas da cárie dentária nos primeiros molares permanentes, pois se trata de um elemento importante para a saúde bucal da criança. Objetivos: Identificar, por meio de um estudo longitudinal, fatores determinantes de cárie dentária em primeiros molares permanentes em crianças escolares no início da dentadura mista. Metodologia: O presente estudo de coorte foi realizado com 122 crianças e suas mães, na clínica de pós-graduação da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O do comitê de ética da UFVJM aprovou o estudo sob o número de protocolo 3.146.173. A pesquisa foi realizada em 3 etapas: T1 (faixa etária de 1 a 3 anos), T2 (faixa etária de 4 a 6 anos) e T3 (faixa etária de 7 a 9 anos), e nos três momentos foram coletados dados socioeconômicos, hábitos da criança, placa visível e cárie. No T1, as crianças foram selecionadas aleatoriamente através de sorteio, a partir de uma lista de cadastro para vacinação, fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde. Foram excluídas as crianças com alterações sistêmicas e/ou neurológicas que pudessem influenciar nos resultados da pesquisa. A seleção dos participantes para cada grupo de exposição (presença de cárie dentária no baseline) no T2 e T3 foi randomizada, usando a lista de crianças expostas e não expostas com base em informações do baseline. Foi realizado um treinamento e calibração com dois examinadores para a coleta de dados, que se dividiu entre preparação para entrevista e preparação para avaliação de cárie. O coeficiente Kappa mínimo inter-examinador foi de 0,83 e intra-examinador de 0,86. Também foi executado um estudo piloto com 40 crianças e suas mães, com o objetivo de realizar a testagem da metodologia, não sendo necessárias alterações metodológicas. O cálculo para avaliar o poder da amostra foi feito pelo OpenEpi, versão 3, Open Source calculator - SSCohort, a um intervalo de confiança de 95%, chegando a um poder de 95,59%. Os dados socioeconômicos e sobre o consumo de açúcar, para o T1, foram elaborados por meio de formulários respondidos pelas mães. O restante, como presença de placa visível e presença e nível de desenvolvimento de cárie, foi avaliado em exame clínico. No exame de cárie utilizaram-se os critérios do International Caries Detection and Assessment System (ICDAS). Para T2 e T3, as mães e crianças foram convidadas para uma reavaliação clínica e não clínica no mesmo ambiente odontológico. Houve uma nova calibração dos dois examinadores, em que os coeficientes Kappa inter-examinador e intra-examinador foram, respectivamente, 0,81 e 0,85 (T2) e 0,85 e 0,88 (T3).  Em todos os momentos do estudo, as crianças com necessidade de tratamento foram encaminhadas para atendimento nas clínicas da UFVJM. Para a análise estatística os dados foram digitados no Statistical Package for the Social Sciences (versão 22.0; SPSS Inc. Chicago, IL, EUA). Análises bivariadas e multivariadas foram conduzidas para avaliar os fatores de risco para incidência de lesões de cárie dentária em primeiros molares permanentes. Foram conduzidas análises de regressão de Poisson e os riscos relativos (RR) e os intervalos de confiança (IC) 95% foram calculados. Resultados: A princípio, uma lista com 322 crianças de 1 a 3 anos foi estabelecida como alvo da pesquisa. Entretanto, 308 crianças aptas às análises passaram para as próximas fases após a verificação dos pré-requisitos. O Baseline (T1) foi fixado em 172 pares criança e mãe convidados, 122 permaneceram até o final, e as perdas foram associadas a mudança de endereço e/ou telefone. A maioria das crianças participantes era do sexo feminino, representadas por 53,3% do total, e a média de idade dos participantes no T1 era 28,50 meses (DP=11,12), em T2 de 67,52 meses (DP=12,34) e em T3 de 93,53 (DP=12,62). A incidência de cárie dentária em primeiro molar permanente foi de 70,5% (ICDAS 1 a 6), sendo que a incidência de cárie inicial (ICDAS 1-2) foi de 51,6%, de cárie estabelecida (ICDAS 3-4) de 10,7% e de cárie severa (ICDAS 5-6) de 8,2%. Todas as crianças avaliadas possuíam os 4 molares permanentes erupcionados, com uma média de 2,02 (DP=1,63) cariados. Dentre os primeiros molares permanentes avaliados, 4,1% estavam restaurados e 4,1% estavam selados. O dente 16 apresentou maior prevalência de cárie inicial, presente em 52,6% dos casos, e os dentes que tiveram maior percentual de cárie estabelecida/severa foram o 36 (13,1%) e o 46 (8,2%). Em relação à análise ajustada, houve associação significativa à incidência de cárie dentária em primeiros molares permanentes, a presença de cárie na criança em T1 (RR=1,41; IC 95%=1,08-1,84), alteração no número de dependentes da renda (RR=1,66; IC 95%=1,17-2,35) e mudança na frequência de escovação (RR=1,77; IC 95%=1,27-2,46), de T1 para T2. Também foi possível observar relação entre a incidência de cárie em primeiros molares permanentes e ocorrência de cárie na criança no T2 (RR= 1,56; IC 95%=1,22-2,17) e a mudança na frequência de escovação no período entre T2 e T3 (RR= 1,25; IC 95%=1,04-1,51). Conclusão: Cárie dentária, alto número de dependentes da renda e baixa frequência de escovação nos primeiros anos de vida, foram determinantes da incidência de cárie em primeiros molares permanentes.

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Publicado

2024-02-22

Como Citar

Sá e Rocha, R., Víviam Moreira, L., Fernandes Machado, G., Ramos Jorge, M. L., Seixas Mourão, P., Lopes Gomes, R., Ramos Jorge, J., & Barbosa Fernandes, I. (2024). Fatores associados à cárie dentária em primeiros molares permanentes: uma avaliação longitudinal. REVISTA DO CROMG, 22(Supl.4). https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.571