Influência do afastamento gengival com fio no tratamento de hipersensibilidade dentinária – estudo clínico randomizado duplo cego
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.383Palavras-chave:
dessensibilizantes dentinários, retração gengival, sensibilidade dentalResumo
Introdução: A hipersensibilidade dentinária (HD) apresenta elevada prevalência e a aplicação de agentes dessensibilizantes é indicada como parte do tratamento. Objetivo: avaliar a influência do afastamento gengival com fio afastador na eficácia e no desconforto do tratamento da hipersensibilidade dentinária por meio da aplicação do agente dessensibilizante. Material e Método: Para isso, 31 indivíduos foram selecionados para acompanhamento clínico de acordo com os critérios de inclusão e exclusão; e após todos os aspectos éticos (CAAE: 52481821.2.0000.5152) cada indivíduo teve dois dentes com hipersensibilidade dentinária tratados, totalizando 62 dentes. Ambos os dentes receberam o protocolo dessensibilizante de única sessão com agente de ação neural (nitrato de potássio) e obliteradora (glutaraldeído); sendo que em um dente foi realizado o afastamento gengival com fio afastador e em outro dente não foi realizado o afastamento. O método de análise utilizado para mensuração da dor foi a escala visual analógica, aplicada inicialmente, imediatamente após a sessão de dessensibilização e ao longo de 7, 15, 30, 60 e 90 dias para acompanhamento. O desconforto do paciente, quanto aos procedimentos, também foi mensurado em escala de 0 a 10. A forma de análise foi de acordo com a distribuição dos dados e com nível de significância de α=0,05. Resultados: As avaliações clínicas demonstraram que o procedimento com fio e sem fio foram efetivos na redução da HD. No período de 90 dias, não houve diferença entre os grupos avaliados. Quanto ao desconforto durante o procedimento, o afastamento gengival gerou maior desconforto ao paciente. Discussão: A hipótese nula foi rejeitada, pois em algumas análises o afastamento gengival com fio apresentou diferença para o protocolo sem a inserção do fio afastador. A HD está estreitamente ligada aos hábitos do paciente e a história médica-odontológica, fazendo-se necessário o correto diagnóstico desta condição. O tratamento da HD consiste em atuar no controle/eliminação dos agentes causais e na redução do movimento do fluido dentro dos túbulos dentinários, através do uso dos chamados agentes dessensibilizantes. Os resultados desse estudo demonstram uma redução da HD para todos os períodos de acompanhamento, independente da técnica de afastamento gengival. Assim, é importante destacar que a aplicação dos agentes dessensibilizantes em consulta inicial e única sessão promove um conforto ao paciente, permitindo maior adesão por parte do paciente na fase de identificação e controle dos fatores etiológicos. Na maior parte das situações, os melhores resultados são obtidos quando realiza-se um protocolo com a associação de agentes dessensibilizantes com diferentes mecanismos para redução da dor proveniente da HD. Nesta pesquisa, os resultados demonstraram que a associação desses agentes foi efetiva, visto que houve redução do nível da HD entre o início e após a aplicação dos agentes dessensibilizantes (baseline). Além disso, a dessensibilização se manteve no período de 90 dias de acompanhamento para todos os grupos comparados, independente da técnica: com ou sem fio afastador. A inserção do fio afastador na sessão clínica de aplicação do agente dessensibilizante é feita previamente a aplicação do produto, dessa forma, a relação de absorção entre o fio afastador e o produto pode influenciar na quantidade de dessensibilizante em contato com a dentina sensível que está momentaneamente recoberta pelo fio afastador. Os resultados apresentados neste ensaio clínico randomizado demonstraram que não houve diferença estatística ao comparar a técnica com fio afastador e sem fio afastador para a redução da dor de HD. O fio afastador pode contribuir no tratamento da HD. Entretanto, mesmo sendo importante para atingir um afastamento desejado, inserir o fio não é um método fácil. Para sua correta inserção, é necessário manipulação física do tecido, podendo levar ao sangramento gengival. Assim, o uso do fio afastador tem o risco de causar lesão de inserção epitelial, dor durante a colocação, às vezes requer anestesia local, e também, mais tempo é necessário. No presente estudo, o grupo com afastamento gengival apresentou maiores valores de desconforto comparado ao grupo sem afastamento gengival. Tendo em vista esses resultados, mais estudos são imprescindíveis para avaliar clinicamente. A relação entre os túbulos expostos no interior do sulco e a posição fio afastador ainda é pouco explorada pela literatura. Sendo assim, se fazem necessárias mais pesquisas que avaliem se o afastamento gengival melhorara o efeito da aplicação do agente dessensibilizante (devido a maior absorção do dessensibilizante pela dentina radicular); ao mesmo tempo da análise do desconforto e injúrias causadas no periodonto pela inserção do fio afastador. Conclusão: O uso do fio afastador não altera a eficácia do protocolo de dessensibilização com agentes neurais e obliteradores, porém gera maior desconforto ao paciente durante o tratamento da hipersensibilidade dentinária.
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