Estudo epidemiológico de pacientes com fratura de mandíbula do HC-UFU
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.397Palavras-chave:
mandíbula, fratura mandibular, epidemiologiaResumo
Introdução: A mandíbula é, usualmente, o osso facial mais frequentemente acometido por fraturas nas injúrias faciais. Do ponto de vista morfofuncional, o fato de ser o único osso móvel da face (viscerocrânio) torna a mandíbula o osso mais vulnerável durante o trauma facial. A mandíbula é um osso ímpar correspondente ao terço inferior da face, faz parte do viscerocrânio e está fortemente conectada a este através da articulação temporomandibular, uma diartrose funcional que permite, pelas suas características morfológicas peculiares, movimentos exclusivos da mandíbula e de alta amplitude. Do ponto de vista anatômico e morfofuncional, é bem entendida pela comunidade acadêmica, clínica e científica como sendo o único osso móvel da face, o que pode resultar na sua alta susceptibilidade à fratura no trauma facial. Objetivo: Estudar o atual perfil epidemiológico do paciente com fratura de mandíbula da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU). Metodologia: Foram 93 prontuários de pacientes com fratura mandibular atendidos pelo Setor de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF), nos últimos 11 anos. Ademais, considerou-se as informações sobre idade e sexo do paciente, etiologia do trauma, parte anatômica da mandíbula acometida pela fratura, tipo de fratura e tratamento instaurado. Os dados foram submetidos a cálculo numérico e percentual e os resultados forneceram um perfil epidemiológico da referida população com fratura mandibular, no intuito de entregar ao cirurgião uma ferramenta da área da saúde baseada em evidência para a atualização do cirurgião em relação ao entendimento deste perfil, abordagem clínica e emergencial e condução ao tratamento adequado, promovendo melhora na qualidade de vida deste paciente. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos (CEP-UFU), sob o registro 4.720.252. Resultados e discussão: Considerando uma amostra de 93 indivíduos, a média de idade foi de 42 anos, divididos em 70 homens e 23 mulheres, representando respectivamente 75,3% e 24,7% do total. Esses dados vêm de encontro a outros estudos que revelaram o sexo masculino e a quarta década de vida mais afetados pela fratura de mandíbula, indicando o corpo da mandíbula como um dos locais mais afetados por fratura (MARANO et al., 2020), entretanto, a nossa pesquisa revelou um maior número de fratura em ramo da mandíbula, assim como encontrado por Flandes e Cols, em 2019. Wusiman e cols., em 2020, através de uma pesquisa sobre fraturas faciais, revelaram a mandíbula como o osso mais afetado, sendo mais casos em homens. Anatomicamente, podemos dizer que por ser o único osso móvel da face, a mandíbula se torna o osso mais susceptível nos traumas faciais. O tipo de fratura simples e a etiologia por acidentes por veículos automotores foram as mais encontradas em nossa pesquisa, concordando com os achados de outros estudos (LEPORACE et al., 2009), seguida por muitos casos provocados por agressão física. O maior número de tratamento por fixação interna rígida via acesso cirúrgico pode ser explicado pela liberdade pós-operatória ao paciente (NETO et al., 2015), o qual poderia ter as suas necessidades comprometidas através do bloqueio maxilo-mandibular com barra de Erich. Conclusão: Pode-se afirmar que o homem na quarta década de vida foi o mais afetado, com maior incidência no ramo da mandíbula e a maioria dos casos tratada através da fixação interna rígida. Este perfil epidemiológico sobre fratura mandibular é mais uma ferramenta que serve de alerta para o cirurgião na abordagem inicial e tratamento de fratura mandibular.
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