Qual o melhor tratamento para fratura do processo condilar mandibular?
Uma metanálise em rede de ensaios clínicos randomizados
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.467Palavras-chave:
fixação de fratura, redução aberta, fixação interna de fraturas, metanálise em redeResumo
Introdução: A metanálise em rede (MR) consiste em uma técnica de análise da revisão sistemática que permite realizar comparações diretas ou indiretas entre diferentes intervenções. Está é utilizada quando se busca elencar intervenções que vem sendo comparadas diretamente em estudos prévios. Não foi encontrado na literatura uma MR que tenha realizado comparações diretas e indiretas para intervenções em fraturas do processo condilar mandibular (FPCM). Dessa forma o presente trabalho tem por objetivo comparar e ranquear diferentes métodos de intervenções utilizados no tratamento dessas fraturas. Metodologia: O protocolo do estudo foi registrado no PROSPERO sob o número CRD42022308463 e a revisão conduzida e escrita de acordo com o guideline do PRISMA. A revisão sistemática incluiu ensaios clínicos randomizados de FPCM em adultos e que compararam dois ou mais dos seguintes métodos de tratamento: barras de arco (AB) + fio de fixação maxilomandibular (FMM), FMM rígida com parafusos de fixação intermaxilar (FIM), AB + terapia funcional com orientação elástica (tratamento funcional AB), AB rígido FMM/tratamento funcional, miniplaca simples, miniplaca dupla, miniplaca lambda, romboide placa e placa trapezoidal. Esses métodos foram comparados a duas miniplacas paralelas ou divergentes. Complicações pós-operatórias de mal oclusão, abertura bucal, dor e mobilidade foram considerados como variáveis desfechos. A ferramenta ROB2 e GRADE foram utilizadas para verificar o risco de viés entre os estudos e a certeza da evidência, respectivamente. A MR foi realizada através do software Stata usando o comando mvmeta e considerando um intervalo de confiança de 95%. A hierarquia dos tratamentos foi analisada usando superfície sob a curva de classificação cumulativa (SUCRA) e classificações médias. Resultados: 29 ensaios clínicos randomizados com um total de 10.259 pacientes foram incluídos na MR. A maioria dos pacientes eram do sexo masculino e tiveram fratura subcondilar ou fratura em região do colo do côndilo. A avaliação do risco de viés foi conduzida por desfecho avaliado. Os estudos incluídos obtiveram baixo risco de viés ou some concerns na classificação geral. As análises revelaram que o uso de 2 miniplacas reduziu significativamente a má oclusão em comparação com FMM rígido (RR=2,93, IC: 1,79 a 4,81, qualidade muito baixa) e tratamento funcional (RR=2,36, IC: 1,07 a 5,23, baixa qualidade) em período < 6 meses. Além disso, em ≥6 meses, 2 miniplacas resultaram em menor má oclusão em comparação ao FMM rígido com tratamento funcional (RR=3,67, IC: 1,93 a 6,99, qualidade muito baixa). A placa trapezoidal e o tratamento funcional AB foram classificados como as melhores opções em placas 3D e grupos fechados, respectivamente. Miniplacas 3D (qualidade muito baixa evidências) foram classificados como o tratamento mais eficaz para reduzir má oclusão e melhoria das funções mandibulares após FPCMs, seguido de duas miniplacas (evidência de qualidade moderada). Conclusão: Esta MR não encontrou diferença substancial nos resultados funcionais entre o uso de duas miniplacas comparada às miniplacas 3D para tratar FPCMs (baixa evidência). Por outro lado, as miniplacas mostraram melhores resultados do que o tratamento fechado (evidência moderada). Ademais as miniplacas 3D produziram melhores resultados para desfechos de excursões laterais, movimentos protrusivos e oclusão do que o tratamento fechado em ≤ 6 meses (evidência muito baixa).
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