Levantamento dos índices de CPO-D e CEO-D em escolares de 05 e 12 anos da zona urbana e rural de Monte Formoso – MG
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.494Palavras-chave:
índice CPO, prevalência, cárie, criança, saúde bucalResumo
Introdução/Justificativa: A cárie é uma doença com etiologia multifatorial, formada a partir da influência de aspectos biológicos, do tempo, fatores comportamentais, tais como dieta com predomínio de carboidrato e hábitos de higiene oral insatisfatórios, além de se relacionar com a falta do acesso aos serviços de saúde, de dentifrícios e do consumo de água fluoretada. A análise epidemiológica desempenha um papel essencial na compreensão da saúde bucal da população, permitindo a identificação de problemas e o desenvolvimento de estratégias de intervenção. Nesse contexto, os índices CPO-D (Cariados, Perdidos e Obturados - permanentes) e ceo-d (Cariados, Perdidos e Obturados - decíduos), preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), são amplamente utilizados para avaliar a prevalência de cárie dentária. Segundo dados de 2010 do IBGE, Monte Formoso (MG) é o quinto município com o menor IDH de Minas Gerais (0,541), além de não possuir levantamentos na área odontológica. Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar os índices ceo-d e CPO-D de escolares de 5 e 12 anos do município de Monte Formoso. Secundariamente, o objetivo foi comparar a prevalência da cárie em áreas urbanas e rurais. Metodologia: Para realizar esta investigação, adotou-se um desenho de estudo transversal. Os métodos de pesquisa recomendados pela OMS foram rigorosamente seguidos para garantir a confiabilidade dos resultados. A população de estudo foi composta por um total de 132 sujeitos. Todos os participantes eram crianças regularmente matriculadas em escolas e creches públicas do município de Monte Formoso. As idades de inclusão foram 05 e 12 anos. Além disso, a pesquisa incluiu crianças residentes tanto na zona urbana quanto na zona rural de Monte Formoso, um município que se destaca por apresentar o 5º menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Minas Gerais. Crianças com qualquer tipo de alteração, disfunção ou patologia que impossibilitassem a realização de inspeção na cavidade oral foram excluídas desta pesquisa. Da mesma forma, crianças que apresentavam algum comprometimento cognitivo ou motor que prejudicasse a compreensão das instruções e a colaboração durante o exame bucal também não foram incluídas. A avaliação do índice de cárie de cada participante envolveu a medição dos índices CPO-D e ceo-d por meio de espátulas de madeira, kits clínicos (espelho, pinça e sonda OMS) e gaze. As avaliações ocorreram de forma padronizada em uma sala reservada pela escola, durante o dia, e o único recurso de iluminação utilizado foi a luz natural. Além da avaliação bucal, os responsáveis pelas crianças participantes responderam a um questionário elaborado para coletar informações socioeconômicas (renda familiar, o nível de escolaridade dos responsáveis e as condições de moradia), comportamentais da criança (escovação dental) e sociodemográficas (idade, gênero e ida ao dentista). Os dados coletados foram submetidos a uma análise estatística descritiva e inferencial. Para avaliar a correlação entre variáveis quantitativas, utilizou-se o teste de correlação de Spearman. Além disso, para comparar grupos de dados independentes, aplicou-se o teste de Mann-Whitney. O software estatístico SPSS foi empregado para a análise, com um nível de significância estabelecido em 5% (p<0,05). Resultados: Foram incluídas 40 (30,3%) crianças com 05 anos, e 92 (69,7%) com 12 anos. A maioria das crianças moravam na zona urbana (n=69, 52,3%), e 72 (54,5%) eram do sexo masculino. O índice de cárie em crianças de 05 anos (ceo-d) foi de 2,17, enquanto em crianças de 12 anos (CPO-D) foi de 1,58, não havendo diferença significativa entre eles (p=0,415). Observou-se que a porcentagem de dentes cariados foi de 7,8% em crianças de 05 anos e 4,1% em crianças de 12 anos. Já a porcentagem de dentes obturados foi de 1,1% aos 5 anos e 1,8% aos 12 anos. Houve uma correlação significativa (p=0,013) e negativa (r =-0,343) entre renda e índice ceo-d. O índice ceo-d foi estatisticamente maior em crianças que já foram ao dentista (ceo-d=4,42) comparadas às que nunca foram (ceo-d=1,26) (p=0,036). Além disso, a análise não revelou uma diferença estatisticamente significativa nos índices de cárie entre crianças que viviam na zona urbana (1,69) e na zona rural (1,84) (p=0,379). Não houve associação significativa entre índice CPO-D e: localidade de moradia (p=0,736), gênero (p=0,298), responsável (p=0,147) e tipo de escovação (p=0,823). Não foram encontradas associações significativas entre índice ceo-d e: localidade de moradia (p=0,612), gênero (p=0,404), responsável (p=0,326) e tipo de escovação (p=0,531). Conclusão: Conclui-se que o município de Monte Formoso possui baixos índices ceo-d e CPO-D entre crianças de 05 e 12 anos, não havendo diferença significativa destes índices entre crianças localizadas nas áreas urbanas e rurais, nem entre crianças das diferentes faixas etárias avaliadas.
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