Comparação entre a utilização de cianoacrilato e sutura após cirurgia de terceiros molares
uma revisão sistemática e metanálise
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.508Palavras-chave:
cianocrilato, sutura, terceiro molar, cirurgiaResumo
Introdução/justificativa: A extração de terceiros molares (3M) é um procedimento comum na prática odontológica. O tempo cirúrgico e o trauma causado aos tecidos bucais são fatores consideráveis para o aparecimento de dor, edema, trismo e sangramento após extrações de 3Ms. A síntese tecidual é de extrema importância para a atenuação dos desconfortos pós-operatórios, pois mantém os tecidos coaptados, acelera o processo de cicatrização e reduz o período de sangramento da ferida cirúrgica. Existem diferentes abordagens para fechar a ferida cirúrgica e o cianoacrilato pode ser promissor para contribuir para as extrações 3Ms, devido a sua fácil aplicação. Objetivo: O objetivo deste estudo foi revisar sistematicamente os resultados de ensaios clínicos que compararam o uso do cianoacrilato com suturas convencionais após a extração de terceiros molares. Metodologia: Foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE (via PubMed), Cochrane Central Registry of Controlled Trials (CENTRAL), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Web of Science. Foram incluídos artigos publicados até 20 de fevereiro de 2022. Foram pesquisados estudos adicionais na literatura cinzenta, nas plataformas Google Scholar e OpenGrey, e as listas de referências dos artigos incluídos foram também verificadas para este efeito. Não houve restrições quanto a limite de data ou idioma de publicação. Três revisores realizaram as buscas dos artigos de forma independente e foram responsáveis por todo o processo de seleção dos estudos. As referências encontradas foram exportadas para o software EndNote® (Clarivate Analytics®, versão X8) e as duplicatas foram excluídas. Em seguida, foi realizada a leitura dos títulos e resumos para exclusão de estudos que não se enquadravam no escopo desta revisão. Os artigos pré-selecionados foram então lidos na íntegra e analisados de acordo com os critérios de elegibilidade. As opiniões divergentes no processo de seleção dos estudos foram resolvidas através da consulta de um quarto revisor. A extração dos dados também foi realizada pelos mesmos três revisores de forma independente. O risco de viés foi avaliado por dois revisores também de forma independente. Qualquer opinião divergente foi resolvida consultando um terceiro revisor. Metanálises foram criadas utilizando o software Stata (versão 3). O GRADE foi utilizado para avaliar a certeza da evidência. Resultados: Inicialmente, foram identificados 226 estudos. Após exclusões, um total de oito estudos (cinco ensaios clínicos randomizados e três ensaios clínicos comparativos não randomizados) foram incluídos nesta revisão e cinco estudos foram incluídos na metanálise. Os estudos foram publicados entre 2009 e 2021, em diferentes países. No total, foram incluídos 220 participantes no grupo experimental e 220 no grupo controle, com um período de seguimento que variou entre 1 dia e 4 semanas após a cirurgia. O uso do cianoacrilato promoveu melhores resultados na redução da dor no primeiro dia de pós-operatório quando comparado ao uso da sutura convencional (SMD: -1,01; 95%CI -1,90 a -0,12, I2=88%). O grupo do cianoacrilato promoveu redução significativa, porém limítrofe, do edema em relação à sutura convencional no 7º dia de pós-operatório (SMD: -0,24; 95%CI -0,46 a -0,01; I2 = 0%). Para o desfecho trismo, em todos os períodos avaliados não foram encontradas diferenças entre os grupos. Conclusões: O uso do cianoacrilato foi melhor na redução da dor no primeiro dia de pós-operatório e na redução do edema no sétimo dia de pós-operatório após cirurgias de 3Ms quando comparado ao uso da sutura de seda convencional. A facilidade de aplicação, o efeito bacteriostático e hemostático do cianoacrilato devem ser considerados na utilização desta técnica como aliada na prática clínica.
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