Uso de resinas pré-aquecidas para cimentação de peças protéticas indiretas

um estudo in vitro

Autores

  • Brender da Silva Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM https://orcid.org/0000-0001-5059-612X
  • Mariana Costa Lima Ribeiro Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Cíntia Tereza Pimenta Araújo Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Lia Dietrich Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Cristina Pereira Isolan Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.515

Palavras-chave:

materiais dentários, cimentação, resinas compostas pré-aquecida

Resumo

Introdução: Conhecidas por sua versatilidade e características mecânicas e físico-químicas, as resinas compostas fazem parte dos materiais mais utilizados na odontologia (SEVERO & REIS, 2022). Nos últimos anos, pesquisas vêm sendo realizadas com o intuito de testar esses materiais a partir de um uso não convencional para técnicas de restaurações diretas e indiretas, em especial o uso dessas resinas compostas pré-aquecidas para cimentação de peças protéticas (BARBON et al., 2022; POUBEL et al., 2022). Trata-se de uma técnica que utiliza dispositivos que promovem o pré-aquecimento da resina composta com o objetivo de modificar suas características mecânicas e físico-químicas, visando uma boa longevidade quando se pensa em seu uso como um cimento (PATUSSI et al., 2023). A literatura sugere a aplicação de uma temperatura de 30º a 69ºC por um tempo de aproximadamente 11 minutos (DARONCH et al., 2006). Objetivo: Analisar o comportamento in vitro das características mecânicas e físico-químicas de 10 resinas compostas comerciais de média viscosidade após serem pré-aquecidas em comparação com um cimento resinoso adesivo fotopolimerizável. Metodologia: Neste estudo in vitro foram aplicados os testes de resistência flexural, módulo de elasticidade e ângulo de contato com a água. As resinas compostas utilizadas foram: Z100 (3M ESPE), Filtek Universal (3M ESPE), Filtek Z350 XT (3M ESPE), Palfique LX5 (TOKUYAMA DENTAL), Vitra Unique (FMG), Opallis (FGM), Forma (ULTRADENT), Harmonize (KERR), IPS Empress Direct (IVOCLAR VIVADENT) e Herculite Precis (KERR). Todas as resinas foram pré-aquecidas por um tempo de 10 minutos a uma temperatura de 69ºC no dispositivo HotSet (Technolife, Joinville, SC, Brasil). Após o pré-aquecimento, as resinas foram adaptadas em modelos de silicone (7x2x2 mm), cobertas por uma tira de poliéster e fotopolimerizadas por 40 segundos. O cimento resinoso adesivo utilizado como grupo controle foi o NX3 Nexus Third Generation (KERR). Após a fotopolimerização os corpos de prova foram armazenados em água destilada e guardados em uma estufa a uma temperatura de 37º por 24 horas.  Em seguida, foram removidos os excessos com tiras de lixa d’água de granulações de #600 e #1200 e as dimensões foram registradas com o auxílio de um Paquímetro Digital (Digimess, China). O teste de resistência flexural de três pontos foi realizado na máquina de ensaios universal (EZ–L-5kN, Shimadzu, Japão) a uma velocidade de 1 mm/min para determinar a resistência à flexão e o módulo de flexão em Mega Pascal (MPa). A partir desses valores, foram calculados os módulos de elasticidade pela fórmula E= Pl3/4dbt3 e valor obtido em MPa foi convertido para Giga Pascal (GPa). Para medir o ângulo de contato com a água foram utilizadas 3 amostras de cada grupo (n=3). Gotas padronizadas de água destilada, de 7 a 10 microlitros, foram lançadas em suas superfícies e a análise foi realizada a partir de um tensiômetro óptico (Theta Lite TL101, Biolin Scientific Inc Suécia), com método de gota séssil. Foram analisados os ângulos de contato direito e esquerdo da água formados com a superfície do material e as bordas da gota d'água e, em seguida, foi calculada uma média entre as leituras de cada grupo testado. A análise estatística foi feita com o teste de normalidade (Shapiro-Wilk) e teste de igualde de variância. Os resultados foram submetidos ao teste ANOVA com Tukey post hoc. Para todos os testes, foi considerado como estatisticamente significativo um p<0,05 pelo software SigmaPlot 12. Resultados: Os valores referentes ao ângulo de contato e resistência flexural de todas as resinas testadas apresentaram resultados estatisticamente semelhantes ao do grupo controle. Já com relação ao módulo de elasticidade as resinas Z100 (3M ESPE) e Palfique LX5 (Tokuyama Dental) foram as únicas que apresentaram valores diferentes do grupo controle. Conclusão: As resinas compostas pré-aquecidas neste estudo parecem apresentar características mecânicas e físico-químicas favoráveis para cimentação de peças protéticas. Quando comparadas com um cimento resinoso adesivo convencional apresentaram valores semelhantes e, em alguns casos, superiores.

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Publicado

2024-02-22

Como Citar

da Silva, B., Ribeiro, M. C. L., Araújo, C. T. P., Dietrich, L., & Isolan, C. P. (2024). Uso de resinas pré-aquecidas para cimentação de peças protéticas indiretas: um estudo in vitro. REVISTA DO CROMG, 22(Supl.4). https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.515