Como os avanços endodônticos influenciam na ocorrência de flare-ups?
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.520Palavras-chave:
endodontia, exacerbação dos sintomas, odontologiaResumo
Introdução: Apesar dos inúmeros protocolos desenvolvidos para a realização dos tratamentos endodônticos, muitos profissionais ainda são surpreendidos por quadros de flare-ups (quadros de dor explosiva) durante e após tratamento dos canais radiculares. Sendo assim, é de interesse geral reconhecer os recursos tecnológicos que podem ser utilizados para reduzir a ocorrência de tal problemática. Objetivo: O objetivo deste trabalho é evidenciar as inovações tecnológicas na área da endodontia que contribuem para uma menor ocorrência de flare-ups. Metodologia: Foram selecionados na plataforma Pubmed seis artigos indexados no último ano por meio dos descritores “endodontic” e “flare-ups”. Resultados: O termo flare-ups é utilizado para descrever casos de surtos de dor e inchaço que podem ocorrer durante ou após o tratamento endodôntico. A ocorrência desses surtos é um desafio para os profissionais endodontistas e está relacionada com fatores ligados ao paciente, às características das alterações endodônticas, a erros na técnica do tratamento. A complexa anatomia radicular pode levar à dificuldade de instrumentação e à persistência de bactérias agressoras nos canais, principalmente as do grupo Enterococcus faecalis, e dessa forma, ocasionar surtos de dor e inchaço que são indesejáveis e muito desconfortáveis para o paciente e para o endodontista. Outra forma de influência no quadro de dor pode ser a ação dos medicamentos intracanal, irrigadores e selantes que podem atingir os tecidos periapicais, causando irritação que resulta então, em crises de dor. O estudo da literatura correlata, permitiu perceber que, com relação aos fatores relacionados ao paciente, sabe-se que os casos de flare-ups são mais incidentes em diabéticos e em pacientes com má controle de placa bacteriana e que não há influência do tipo de irrigante com os casos de surtos de dor relatados. Para que os quadros clínicos sejam bem planejados, os endodontistas contam, atualmente, com as tomografias computadorizadas de feixe cônico, que permitem uma visualização da estrutura dental em três dimensões e, dessa forma, reduzem a probabilidade de intercorrências e facilitam a localização dos canais. O uso do localizador apical permite obter de forma precisa o comprimento do dente e, dessa forma, evita a sub e sobreinstrumentação dos canais. É também consenso entre os autores dos estudos investigados que, o uso da instrumentação rotatória, remove de forma mais eficiente os tecidos contaminados e propicia melhores preparos e modelagens dos canais radiculares, quando comparada à instrumentação manual, que tende a empurrar mais detritos para a área periradicular. A ativação mecânica de irrigantes como o EndoActivator também é útil para reduzir a incidência de crises pós-operatórias. Além disso, a irrigação ultrassônica contínua é mais eficaz na redução da incidência de crises. O uso de terapia a laser de baixo nível também reduz o risco de crises. Já os avanços na área farmacológica permitiram evidenciar que o uso de corticoides no pré e pós operatório contribuem para evitar os quadros de surtos. Ademais, é relatado que, tratamentos realizados em sessão única não permitem uma avaliação sintomatológica no transoperatório, o que dificulta a identificação e o tratamento dos surtos. Conclusão: Sendo assim, pôde-se concluir que, atualmente, o endodontista conta com uma série de ferramentas que podem ser utilizadas para planejar e efetuar de forma mais segura e tranquila os tratamentos endodônticos e, assim, reduzir os casos de ocorrência de flare-ups, buscando o bem estar do paciente e do profissional.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 REVISTA DO CROMG

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com finalidade de manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais serão enviadas aos autores. Deve ser consignada a fonte de publicação original. Os originais não serão devolvidos aos autores. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
