Saúde bucal dos idosos no Brasil
uma revisão narrativa de literatura sobre envelhecimento, autocuidado e atenção primária
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.535Palavras-chave:
idosos, saúde bucal, autocuidado, autopercepçãoResumo
Introdução: O século XXI é marcado por uma significativa transformação social: o aumento da expectativa de vida da população. Este fenômeno tem implicações em várias áreas, incluindo a saúde. Nesse contexto, a saúde bucal dos idosos se torna um tema de grande importância, pois a perda de dentes e a presença de doenças bucais podem comprometer a qualidade de vida e a saúde geral desses indivíduos. Além disso, essas alterações estão fortemente relacionadas à percepção de saúde e às práticas de autocuidado. A atenção primária desempenha um papel fundamental nesse cenário, pois é o primeiro nível de atenção à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). Realiza um conjunto de ações que abrangem a promoção, a prevenção e o tratamento de doenças. Portanto, desempenha um papel crucial nas políticas públicas voltadas para a saúde bucal dos idosos, considerando os desafios do envelhecimento e a importância do autocuidado e da atenção primária. Objetivo: Este estudo objetivou realizar uma revisão de literatura descritiva, com base em dados acerca do envelhecimento, condições de saúde bucal e fatores associados em idosos residentes no Brasil. Metodologia: Para esta revisão de literatura foi realizada uma pesquisa bibliográfica de artigos indexados em plataformas como PubMed, Scielo, Google Acadêmico e Lilacs, com os descritores: idosos, saúde bucal e autopercepção, no idioma que atendia a cada plataforma. Além dos artigos indexados nas plataformas, também foram consultados 5 documentos oficiais do governo brasileiro que abordassem políticas, diretrizes e normas relacionadas à saúde bucal dos idosos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os artigos foram selecionados de acordo com a leitura crítica do resumo e foram incluídos aqueles que abordassem aspectos epidemiológicos, clínicos e psicossociais da saúde bucal dos idosos no Brasil, sendo dispensados aqueles que fugiam à temática principal do trabalho. A análise dos dados foi realizada por meio de uma síntese narrativa dos principais achados dos artigos selecionados, organizados em três categorias: envelhecimento e saúde; autocuidado e autopercepção; atenção primária e saúde bucal. Os documentos oficiais do governo foram analisados de forma descritiva, destacando-se os principais pontos referentes à saúde bucal dos idosos no SUS. Resultados: Foram encontrados 25 artigos que atenderam aos critérios de inclusão, com predomínio do desenho transversal com amostras representativas da população idosa. Os resultados foram apresentados de acordo com as categorias definidas: Envelhecimento e saúde - Os estudos mostraram que o envelhecimento populacional é um fenômeno global que traz desafios e oportunidades para as políticas públicas de saúde. O envelhecimento saudável é um conceito que envolve a manutenção da capacidade funcional, da autonomia e da participação social dos idosos. A saúde bucal é um aspecto fundamental para a qualidade de vida dos idosos, pois influencia diretamente o seu bem-estar físico e mental. No Brasil, ela é precária e acometida por problemas odontológicos que afetam a sua capacidade mastigatória, a sua estética e a sua autoestima. Entre eles destacam-se, principalmente, o edentulismo, necessidade de uso de prótese, alterações periodontais, hiperplasias, candidíase oral, lesões malignas, lesões de cárie não tratadas, xerostomia e lesões não cariosas. Autocuidado e autopercepção - Os estudos mostraram que a autopercepção de saúde bucal está relacionada à forma como o indivíduo avalia o seu próprio estado de saúde, os aspectos funcionais, sociais e psicológicos. A autopercepção de saúde bucal pode influenciar na qualidade de vida dos idosos, afetando sua autoestima, satisfação, bem-estar e interação social. A autopercepção e o autocuidado em saúde bucal estão intimamente relacionados, pois a forma como o indivíduo se vê influência nas suas atitudes e comportamentos em relação à sua saúde. Entre os idosos, essas variáveis de saúde bucal podem ser comprometidas por diversos fatores, como a falta de informação, o baixo nível socioeconômico, as dificuldades de acesso aos serviços odontológicos, as limitações físicas e cognitivas, as doenças crônicas e o uso de medicamentos. Atenção primária e saúde bucal - Os estudos mostraram que a atenção primária é o primeiro nível de atenção à saúde no SUS, que visa garantir o acesso universal e gratuito aos cuidados de saúde. A atenção primária realiza um conjunto de ações de saúde que abrangem a promoção, a prevenção e o tratamento de doenças, considerando as necessidades e as demandas da população idosa. A inserção do dentista na atenção primária representa um avanço na política de saúde bucal no Brasil, que historicamente foi marcada pela exclusão e pela precariedade dos serviços públicos. O dentista tem como função prestar assistência odontológica à população, realizando ações de promoção, prevenção e reabilitação da saúde bucal. Todavia, ainda existem desafios a serem superados, como o fortalecimento da interdisciplinaridade, a criação de vínculo com a comunidade e a execução de atividades educativas para a promoção da saúde, além de assegurar a incorporação do dentista nas equipes que ainda não o têm em sua composição. Conclusão: A revisão narrativa de literatura permitiu identificar os principais aspectos relacionados ao envelhecimento, condições de saúde bucal e fatores associados em idosos residentes no Brasil. Os resultados evidenciaram a importância da saúde bucal para a qualidade de vida dos idosos, bem como os desafios para garantir o acesso universal e equitativo aos serviços odontológicos na atenção primária. Destaca-se a necessidade de implementar políticas públicas que promovam o envelhecimento saudável e a prevenção de doenças bucais, considerando as especificidades e as demandas dessa população.
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