Pandemia do coronavírus e a prática periodontal: avaliação do impacto através de pesquisa por questionário
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.553Palavras-chave:
infecção por coronavírus, COVID-19, periodontia, medicina periodontal, epidemiologiaResumo
Introdução: A pandemia de COVID-19, em função da disseminação do coronavírus SARS-CoV-2, trouxe desafios e incertezas no campo da odontologia. Os dentistas, em especial os periodontistas, fizeram parte do grupo mais suscetível à infecção devido à intensa geração de aerossóis durante procedimentos periodontais, seja pelo uso de ultrassom ou instrumentos rotatórios de polimento. Em março de 2020, mediante a crescente de casos, as atividades não essenciais foram interrompidas e novas medidas de biossegurança e controle de infecção tiveram de ser implementadas. Para a continuidade dos atendimentos, os cirurgiões dentistas adaptaram sua prática clínica de modo a reduzir procedimentos geradores de aerossóis, limitando consultas e explorando a teleodontologia, condicionados ao retorno gradual das atividades não essenciais frente à situação da pandemia em cada país. Objetivo: O objetivo deste estudo foi investigar os possíveis fatores associados à percepção do impacto da COVID-19 na prática clínica dos periodontistas no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar do grande número de publicações sobre a pandemia, dados específicos sobre seu impacto na prática dos periodontistas ainda são limitados, portanto, o estudo busca preencher essa lacuna de conhecimento. Metodologia: Os dados deste estudo transversal foram coletados via questionário online confeccionado pelos pesquisadores com base em estudos prévios e revisões de literatura sobre o tema e a pesquisa foi aprovada pelos comitês de ética em pesquisa da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (nº 4.079.814) no Brasil e da Universidade da Flórida (nº IRB202001643) nos EUA. O formulário dividia-se entre dados pessoais, condições de saúde, condições de trabalho e uso de equipamentos de proteção individual adotados e conhecimento sobre a COVID-19 e autopercepção do risco de infecção. O mesmo foi revisado e encaminhado via email e redes sociais a cirurgiões dentistas pós graduados em periodontia com registro ativo nos respectivos órgãos de regulamentação no Brasil e Estados Unidos. A variável dependente de interesse foi o impacto percebido da pandemia de COVID-19 na prática clínica periodontal a qual foi mensurada por uma escala numérica de 0 a 10, na qual 0 corresponde a “nenhum impacto” e 10 a “máximo impacto possível”. Resultados: Foram coletadas 254 respostas ao formulário, sendo 138 periodontistas do Brasil e 116 dos Estados Unidos, dos quais 56,3% participaram de algum treinamento sobre medidas preventivas ao COVID-19, com maior frequência entre os residentes nos Estados Unidos (p=0,039). Quanto ao uso de equipamentos de proteção individual, os mais utilizados após o início da pandemia foram luvas de procedimento descartáveis (82,7%) e protetores faciais (81,2%), e os menos utilizados foram macacões (12,2%) e jalecos impermeáveis (26,3%). Dos entrevistados, 66,1% relataram maior dificuldade de aquisição destes equipamentos após o início da pandemia. Quanto ao número de atendimentos, 50% relataram atender 10 pacientes por dia antes do início da pandemia e redução para 5 pacientes por dia após o início. A média de impacto financeiro conforme a escala entre 0 (nenhum impacto) a 10 (máximo impacto) foi de 7,97 (± 2,26) pontos, com 50% dos participantes avaliando o impacto financeiro com maior que 8 pontos. O impacto financeiro (p < 0,001), a influência percebida na rotina clínica atual (p = 0,002) e as perspectivas em relação ao futuro da prática clínica (p = 0,008) demonstraram diferenças estatisticamente significativas, com valores mais elevados entre os dentistas residentes no Brasil em comparação com os residentes nos Estados Unidos. Os profissionais de odontologia que atuam no setor privado demonstraram uma probabilidade 83% menor de relatar um impacto significativo da pandemia de COVID-19 em sua rotina clínica em comparação com aqueles que trabalham no setor público ou em instituições acadêmicas. Além disso, o impacto da pandemia nas finanças dos consultórios odontológicos mostrou uma associação significativa com o impacto percebido da pandemia (OR: 1,36; IC 95%: 1,16–1,61). Os periodontistas que aprimoraram suas práticas de lavagem das mãos apresentaram uma probabilidade 3,41 vezes maior de relatar um impacto significativo da pandemia em comparação com aqueles que não fizeram alterações em sua rotina de higiene (IC 95%: 1,28–9,04). Não houve associação estatisticamente significativa entre o isolamento social, a adaptação de procedimentos clínicos e a percepção de um impacto significativo da pandemia. O valor de p para o teste de Hosmer e Lemeshow foi de 0,22. Conclusão: A pandemia do COVID 19 foi responsável por mudanças na rotina clínica dos periodontistas no Brasil e nos Estados Unidos, sendo que o impacto financeiro e a intensificação do hábito de lavagem das mãos os principais fatores associados à percepção deste impacto sendo mais presente em periodontistas atuantes no setor público e instituições acadêmicas.
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