Cirurgia Ortognática para Correção de Deformidades Dentoesqueléticas
revisão de Literatura
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.557Palavras-chave:
cirurgia ortognática, deformidades dentofaciais, assimetria facial, cirurgia maxilofacial, ortodontia corretivaResumo
Introdução: As más oclusões foram definidas primeiramente por Angle e são consideradas deformidades dentofaciais. Essas deformidades faciais afetam a forma e o tamanho do esqueleto facial, causando problemas de oclusão, estética, mastigação, deglutição, fala e respiração. Elas podem ter origem congênita, hereditária ou traumática e estão associadas a diferentes posições da mandíbula e das maxilas. A prevalência dessas deformidades não tem predileção por gênero e podem ser tratadas com ortodontia, ou com cirurgia ortognática. Esta última é mais indicada para casos mais graves, pois permite uma correção mais precisa e duradoura (Angle,1899; Lamani et al., 2022). Objetivos: O trabalho apresentado objetiva revisar a literatura a respeito da cirurgia ortognática para correção de deformidades dentoesqueléticas. Metodologia: Realizou-se a busca de artigos nas bases de dados “Pubmed” e “SCIELO” e foram selecionados 38 artigos que concentram maioritariamente os temas de interesse neste estudo. Resultados: Anteriormente, as correções dentárias eram realizadas por meio de elásticos intermaxilares na tentativa de obter uma correção oclusal. Tal feito, por vezes, conseguia mascarar a desarmonia esquelética, mas geralmente não obtinham sucesso. Devido à ênfase dada à oclusão dentária, foi destacada pouca atenção à análise da deformidade do esqueleto e à estética facial. Entretanto, a ortodontia moderna representa uma mudança de paradigma ao enfatizar a aparência dentofacial, com uma maior preocupação em relação aos tecidos moles orais e faciais. As opções de tratamento diferem de um indivíduo pré-puberal para um indivíduo pós-puberal. Na fase pré-puberal, a terapia cirúrgica não se faz necessária, uma vez que podem ocorrer recidivas oriundas do crescimento. Nesse estágio, as deformidades faciais podem ser corrigidas através do tratamento interceptivo, com o uso de máscaras faciais. Em indivíduos que já passaram pela fase de crescimento, o tratamento indicado é a cirurgia ortognática, que visa corrigir as irregularidades faciais e maxilomandibulares e melhorar o posicionamento dentário. O tratamento envolve ortodontia e cirurgia combinadas, e requer uma análise facial cuidadosa para planejar o movimento cirúrgico adequado. Esse tratamento ortodôntico-cirúrgico envolve duas fases: a pré-cirúrgica, que visa avaliar e preparar a oclusão para a cirurgia; e a pós-cirúrgica, que visa refinar e ajustar a oclusão após a recuperação do paciente. A conduta em cada fase depende da gravidade da deformidade, das alterações dentárias e da abordagem do ortodontista. Para o diagnóstico, são usadas radiografias panorâmicas, cefalométricas e outros exames de imagem. A tecnologia digital computadorizada facilita a análise facial e o planejamento cirúrgico, usando osteotomia virtual e modelos 3D. Essas técnicas permitem detectar e corrigir problemas ocultos, além de fornecer representações mais precisas da morfologia crânio-facial. Obtendo um planejamento mais eficaz na correção de desvios, assimetrias, inclinações e posições, que resulta em melhores resultados terapêuticos (Graber, 1977; Ho et al., 2017; Lamani et al., 2022; Oltramari-Navarro et al., 2013). Conclusão: A cirurgia ortognática é uma eficaz alternativa de tratamento no restabelecimento da função do aparelho estomatognático e equilíbrio da estética facial, aliado a uma estabilidade oclusal pós-operatória e registros de grande satisfação dos pacientes quanto aos resultados.
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