Cisto epidermoide oral com grandes proporções
relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.576Palavras-chave:
cisto epidermoide, diagnóstico bucal, odontologiaResumo
Introdução: O cisto epidermóide (CE) é um cisto de desenvolvimento não odontogênico derivado de tecido ectodérmico coberto por epiderme sem apêndices cutâneos. Os cistos epidermóides têm baixa prevalência na região de cabeça e pescoço, podendo comprometer funções essenciais. Clinicamente, é um apresentado como uma lesão nodular de aproximadamente 3,5 cm ou menos, mas há relatos de CE gigantes na literatura. O presente estudo teve como objetivo descrever um caso clínico de CE gigante no assoalho da boca esvaziado através de uma incisão e a marsupialização como manobra de emergência. Descrição do caso: Paciente do sexo masculino, 21 anos, foi encaminhado ao serviço de Estomatologia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri para avaliação com queixa de inchaço em assoalho da boca há dois anos, além de disartria, disfagia, dispneia e limitação de abertura bucal. Ao exame extraoral foi observado aumento de volume na região submentoniana com coloração normal e consistência amolecida. O exame intraoral mostrou aumento de volume ocupando todo o assoalho da boca, indolor, causando elevação da língua com sua projeção para região posterior, obliterando a orofaringe devido à grande protuberância. As hipóteses diagnósticas foram cistos epidermóides e dermóides. Foi solicitado exame de ressonância magnética para avaliação da lesão e planejamento cirúrgico. Dezoito meses após a consulta inicial, o paciente compareceu ao ambulatório de apresentando aumento significativo da lesão na região submentoniana, ocasionando aparecimento de papada e selamento labial incompleto. A ressonância magnética (RM) com contraste mostrou lesão extensa, causando redução da via aérea orofaríngea e medindo 7,1 x 6,0 x 9,2 cm. Resultados: Devido ao tamanho da lesão e suas consequências adversas nas funções anatômicas e fisiológicas do paciente, uma intervenção de emergência foi realizada. O procedimento ocorreu sob anestesia local e consistiu em uma biópsia incisional acessada pela cavidade oral, seguida do esvaziamento da cavidade cística e a subsequente marsupialização. O pós-operatório imediato mostrou uma notável melhora na abertura da boca, reposicionamento da língua, vedação labial, fonação, restauração da oclusão dentária e facilitação da respiração do paciente. O exame histopatológico confirmou o diagnóstico de cisto epidermoide. Após 10 dias de acompanhamento, as suturas foram retiradas e observou-se redução significativa da lesão, manutenção da oclusão e selamento labial. Foi planejada excisão cirúrgica completa do cisto, mas o paciente não retornou à clínica mesmo após diversas tentativas de contato sem sucesso. Considerações finais: Cistos epidermoides na mucosa oral podem causar várias complicações e afetar a saúde geral do paciente, podendo aumentar de tamanho ao longo do tempo, comprimindo estruturas vizinhas e causando dor, inchaço, dificuldade na fala e na mastigação, entre outros problemas. Em casos de emergência ou quando os cistos se tornam grandes o suficiente para causar sérias disfunções, técnicas como esvaziamento e marsupialização podem ser consideradas para reduzir imediatamente seu tamanho e restaurar as funções básicas do paciente. A marsupialização é um procedimento cirúrgico que envolve a criação de uma abertura na parede do cisto para permitir que o fluido ou material contido nele seja drenado. Esse procedimento não remove o cisto, mas ajuda a reduzir seu tamanho, aliviando a pressão e os sintomas. A vantagem da marsupialização é que ela é relativamente simples e pode ser realizada em ambientes de emergência ou ambulatórios.
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