Avaliação retrospectiva
perfil clínico e terapia endodôntica em dentes decíduos com trauma
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.716Palavras-chave:
traumatismos dentários, dente decíduo, tratamento endodônticoResumo
Introdução/Justificativa: As lesões dentárias traumáticas são acidentes muito comuns na infância, e configuram um importante problema de saúde pública em escala mundial, com estudos epidemiológicos indicando prevalência entre 20% e 30% nessa população. Os dentes decíduos desempenham papel essencial na manutenção da função mastigatória e da estética oral infantil, além de contribuírem para o correto posicionamento e erupção dos dentes permanentes. Os traumatismos dentários em dentes decíduos podem gerar complicações que comprometem sua longevidade e funcionalidade, sendo o tratamento endodôntico iniciado para preservar dentes com pulpite irreversível ou necrose pulpar até a esfoliação fisiológica. Objetivo: Descrever as características clínicas e terapêuticas de dentes decíduos traumatizados submetidos a tratamento endodôntico. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, baseado na análise de prontuários clínicos e exames radiográficos de crianças de 1 a 6 anos, atendidas na Clínica de Traumatismos da Dentição Decídua da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FAO-UFMG), no período de 2006 a 2024. Foram incluídos dentes decíduos traumatizados submetidos a tratamento endodôntico. Os dados coletados contemplaram variáveis relacionadas à criança, ao traumatismo dentário e ao tratamento realizado, sendo as análises descritivas conduzidas no software Statistical Package for Social Science (SPSS). Resultados: De 505 prontuários odontológicos, 63 dentes foram tratados endodonticamente em 55 crianças. Observou-se que a maioria dos tratamentos endodônticos realizados após trauma ocorreu em crianças com até três anos de idade (81%), e a maioria das crianças era do sexo masculino (57,1%). Os tipos de trauma mais frequentes foram fratura sem envolvimento pulpar (44,3%), fratura com envolvimento pulpar (24,6%) e concussão ou subluxação (22,6%). A presença de fístula foi observada em 33,9% dos casos. A instrumentação predominantemente manual (94%), e o irrigante mais utilizado foi o hipoclorito de sódio a 2,5% (78,1%), e o EDTA 17% foi o agente mais utilizado para remoção da smear layer. Em 76,4% dos casos não houve uso de medicação intracanal; quando utilizada, predominou o hidróxido de cálcio (20%). O material obturador mais frequentemente empregado foi a pasta Guedes Pinto (57,4%). A maioria dos tratamentos foi realizada em sessão única (70,9%), e a resina composta foi o material restaurador mais utilizado (41,1%). Conclusão: Dentro das limitações deste estudo retrospectivo descritivo, observou-se que o tratamento endodôntico de dentes decíduos traumatizados, ocorreu predominantemente em crianças até três anos de idade e em casos de fraturas dentárias. Diante da heterogeneidade das abordagens descritas na literatura e da ausência de consenso quanto ao protocolo ideal para dentes decíduos traumatizados, os resultados reforçam que as decisões clínicas permanecem fortemente influenciadas pela situação clínica de cada paciente, pela experiência profissional, pelas diretrizes institucionais e pela evolução do conhecimento científico ao longo do tempo. O adequado diagnóstico e a escolha criteriosa da conduta terapêutica são fundamentais para a manutenção do dente até sua esfoliação fisiológica, preservando função, estética e bem-estar da criança. O estudo permitiu caracterizar os principais achados clínicos e as condutas terapêuticas adotadas no tratamento endodôntico de dentes decíduos traumatizados em uma instituição de ensino, reforçando a necessidade de padronização de protocolos baseada em evidências e assim, contribuindo para o aprimoramento da prática clínica.
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