Hipnose no controle da ansiedade durante a extração do terceiro molar
uma revisão crítica
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.717Palavras-chave:
ansiedade, hipnose em odontologia, cirurgia bucal, terceiro molarResumo
Introdução/Justificativa: A ansiedade odontológica pode comprometer o sucesso de procedimentos cirúrgicos, especialmente em intervenções mais invasivas, como a extração de terceiros molares. Esse estado emocional pode desencadear respostas fisiológicas e comportamentais que dificultam o manejo clínico, aumentando o risco de complicações e reduzindo a colaboração do paciente. Nesse contexto, a busca por estratégias eficazes e seguras para o controle da ansiedade torna-se essencial.1 A hipnose, definida como um estado alterado de consciência caracterizado por elevada sugestibilidade e responsividade, tem sido utilizada como uma abordagem terapêutica complementar na área da saúde, incluindo a odontologia. Sua aplicação, visa promover relaxamento, reduzir o medo e melhorar a experiência do paciente durante o atendimento.2 Apesar de relatos positivos quanto ao uso da hipnose no controle da dor e da ansiedade, sua eficácia específica em procedimentos de extração de terceiros molares ainda não está bem estabelecida na literatura científica. Objetivos: O presente estudo teve como objetivo revisar criticamente ensaios clínicos randomizados que investigaram a eficácia da hipnose no controle da ansiedade em pacientes submetidos à extração de terceiros molares. Buscou-se analisar os resultados disponíveis, bem como avaliar a qualidade metodológica dos estudos incluídos, a fim de verificar a confiabilidade das evidências existentes sobre o tema. Metodologia: Foram seguidas as diretrizes PRISMA e o registro do protocolo na PROSPERO. A estratégia PICO foi estruturada segundo o modelo: P (pacientes submetidos à extração de terceiros molares) I (hipnose) C (outras técnicas de controle da ansiedade) O (redução dos níveis de ansiedade). Foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane e Embase, além da literatura cinzenta por meio do google acadêmico. Os descritores utilizados incluíram termos relacionados à hipnose, ansiedade, tratamento odontológico e procedimentos cirúrgicos orais. A seleção dos estudos foi realizada por quatro pesquisadores independentes, com análise de títulos, resumos e leitura completa dos artigos elegíveis. Ensaios clínicos randomizados foram incluídos sem restrição de idioma ou ano de publicação. A qualidade metodológica e o risco de viés foram avaliados com base em critérios adaptados das diretrizes CONSORT,3 considerando aspectos como randomização, cálculo amostral, mascaramento, ocultação de alocação e perdas de seguimento.4,5 Resultados: Foram identificados 255 estudos, dos quais apenas três atenderam aos critérios de inclusão após as etapas de triagem. Todos os estudos incluídos eram ensaios clínicos randomizados, porém classificados como nível III de evidência, apresentando alto risco de viés. Em dois estudos, a hipnose demonstrou redução significativa da ansiedade, avaliada principalmente pelo Inventário de Ansiedade de Spielberger. Em contrapartida, um estudo não encontrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Observou-se ainda heterogeneidade metodológica, com variações nos protocolos de hipnose e limitações como amostras reduzidas, ausência de mascaramento e falta de descrição do cálculo amostral, o que compromete a confiabilidade dos resultados. Conclusão: Conclui-se que a hipnose apresenta potencial como estratégia complementar no controle da ansiedade em pacientes submetidos à extração de terceiros molares. No entanto, as evidências disponíveis ainda são limitadas e apresentam baixa qualidade metodológica, impedindo conclusões definitivas sobre sua eficácia. Dessa forma, são necessários novos ensaios clínicos randomizados, com delineamento metodológico mais rigoroso, para fornecer evidências mais robustas e confiáveis sobre o uso de hipnose na prática odontológica.
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