Efeito da incorporação de nanopartículas de seda de Bombyx mori em adesivo universal
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.718Palavras-chave:
nanopartículas, adesivos dentinários, fibroínas de sedaResumo
Introdução: Os adesivos dentários desempenham papel fundamental na retenção e longevidade das restaurações em resina composta, atuando na formação de uma interface de união estável e resistente às forças mecânicas e à contração de polimerização. A adesão ocorre principalmente por retenção micromecânica, por meio da formação de “tags” de resina no esmalte e da infiltração da resina na rede de colágeno da dentina condicionada. Com o avanço dos sistemas adesivos, os adesivos universais foram desenvolvidos com o objetivo de simplificar a técnica clínica e permitir diferentes estratégias de aplicação. No entanto, a degradação da interface adesiva ainda representa um desafio, devido à susceptibilidade da camada híbrida à infiltração de fluidos e à degradação hidrolítica e enzimática, comprometendo a durabilidade das restaurações. Nesse contexto, a incorporação de nanopartículas em sistemas adesivos tem sido investigada como estratégia para melhorar propriedades mecânicas e a estabilidade da união. Dentre essas, as nanopartículas de seda de Bombyx mori destacam-se como promissoras para uso como agentes de reforço, devido à sua elevada resistência mecânica, biocompatibilidade, flexibilidade de processamento, estabilidade química e potencial como sistema carreador de agentes bioativos. Objetivo: Avaliar o efeito da incorporação de nanopartículas de seda do Bombyx mori nas propriedades mecânicas e no grau de conversão do adesivo Single Bond Universal (3M ESPE®). Metodologia: Trata-se de um estudo in vitro no qual o sistema adesivo Single Bond Universal foi modificado com nanopartículas de seda em diferentes concentrações: 0% (controle), 0,5%, 1% e 3%. As nanopartículas foram obtidas a partir da seda do bicho-da-seda Bombyx mori, por meio de processos de degomagem, dissolução, diálise, precipitação e liofilização, sendo posteriormente caracterizadas por microscopia eletrônica de varredura. Após a incorporação ao adesivo, foram realizados os testes de resistência de união por microcisalhamento e microtração, resistência coesiva e grau de conversão. Adicionalmente, os padrões de fratura foram avaliados e classificados quanto ao tipo (adesiva, coesiva ou mista), a fim de complementar a análise do comportamento mecânico dos grupos experimentais. A análise estatística incluiu teste de normalidade de Shapiro-Wilk, seguido por ANOVA ou Kruskal-Wallis, com nível de significância de 5%. Resultados: A caracterização por microscopia eletrônica de varredura evidenciou que as nanopartículas de seda apresentaram morfologia predominantemente esférica, com distribuição relativamente homogênea e dimensões em escala nanométrica, confirmando a obtenção adequada do material. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para resistência de união por microcisalhamento (p=0,248), microtração (p=0,877), resistência coesiva (p=0,210) e grau de conversão (p=0,337). Esses achados indicam que a incorporação das nanopartículas não promoveu melhora significativa nas propriedades avaliadas. Entretanto, verificou-se maior prevalência de fraturas coesivas em resina nos grupos contendo 1% e 3% de nanopartículas, sugerindo uma possível tendência de aumento da resistência da interface adesiva, embora sem significância estatística. Além disso, não foram observados indícios de prejuízo ao desempenho do sistema adesivo modificado, uma vez que os valores obtidos se mantiveram semelhantes ao grupo controle em todos os testes realizados. Conclusão: A incorporação de nanopartículas de seda do Bombyx mori ao adesivo universal não resultou em melhora significativa das propriedades mecânicas ou do grau de conversão, porém também não comprometeu negativamente seu desempenho. Por se tratar de uma abordagem ainda pouco explorada na literatura, recomendam-se mais pesquisas que explorem sua influência, considerando as propriedades positivas das nanopartículas.
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