Prevalência e fatores associados ao uso de cigarros eletrônicos entre universitários
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.740Palavras-chave:
tabagismo, cigarros eletrônicos, estudante universitário, prevalênciaResumo
Introdução: O tabagismo permanece como um dos principais problemas de saúde pública mundial, associado a elevada morbimortalidade. Nos últimos anos, os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarros eletrônicos, emergiram como uma nova forma de consumo de nicotina, especialmente entre jovens. Esses dispositivos têm sido amplamente divulgados como alternativas menos nocivas aos cigarros convencionais, o que contribui para sua crescente popularidade. Entretanto, evidências científicas indicam que os cigarros eletrônicos podem causar danos à saúde, incluindo efeitos respiratórios, cardiovasculares e potencial dependência de nicotina. No Brasil, apesar da proibição de comercialização desses dispositivos pela ANVISA, observa-se aumento no uso, especialmente entre universitários. O ambiente acadêmico representa um contexto propício para a experimentação de substâncias, devido a fatores como maior autonomia, influência social e exposição a eventos sociais. Nesse cenário, torna-se essencial compreender a prevalência e os fatores associados ao uso de cigarros eletrônicos entre estudantes, a fim de subsidiar políticas de prevenção e promoção da saúde. Objetivo: Investigar a prevalência do uso de cigarros eletrônicos e identificar os fatores associados ao seu consumo entre discentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal, realizado entre outubro de 2024 e agosto de 2025. A amostra foi composta por 435 estudantes de graduação e pós-graduação da UFVJM, maiores de 18 anos e regularmente matriculados. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário online autoaplicável, distribuído via e-mail institucional, redes sociais e grupos acadêmicos. O instrumento contemplou variáveis sociodemográficas, formação acadêmica, comportamento tabágico, autopercepção de saúde e conhecimento sobre cigarros eletrônicos e legislação. Os dados foram organizados no Microsoft Excel® e analisados no software SPSS® (versão 26.0). Foram utilizadas análises descritivas e o teste qui-quadrado de Pearson para avaliar associações entre variáveis, adotando-se nível de significância de 5% (p < 0,05). O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.114.800). Resultados: A amostra foi predominantemente composta por indivíduos do sexo feminino (63%) e com idade entre 18 e 24 anos (67,8%). A maioria dos participantes era de graduação (89,7%) e vinculada ao campus de Diamantina (80,5%). A prevalência de uso atual de cigarros eletrônicos foi de 9%, enquanto 48,5% dos participantes relataram já ter experimentado esses dispositivos. Além disso, 77,2% afirmaram já ter recebido oferta de cigarros eletrônicos, principalmente em festas e eventos sociais. Os amigos foram identificados como os principais responsáveis pela oferta (54%), evidenciando a forte influência social no comportamento de uso. Observou-se também que 65,1% dos estudantes já presenciaram o uso desses dispositivos no ambiente universitário. A análise estatística revelou associação significativa entre o uso atual de cigarros eletrônicos e o sexo masculino (p < 0,001), bem como com o uso de cigarros convencionais (p < 0,001). O escore de conhecimento sobre o tema também apresentou associação significativa (p = 0,010), sendo mais elevado entre usuários. A experimentação esteve associada à faixa etária de 18 a 30 anos (p = 0,001), ao sexo masculino (p = 0,030) e à influência de amigos e contextos sociais (p < 0,001). Conclusão: O uso de cigarros eletrônicos entre estudantes universitários da UFVJM apresenta prevalência relevante e tendência de crescimento, especialmente entre jovens, homens e fumantes convencionais. Os resultados indicam que fatores sociais e comportamentais desempenham papel central na iniciação e manutenção do uso. O conhecimento sobre os riscos e a legislação não foi suficiente para reduzir o consumo, sugerindo que estratégias baseadas apenas em informação são insuficientes. Destaca-se a necessidade de políticas institucionais de prevenção e campanhas educativas mais efetivas.
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