Osteorradionecrose mandibular
relato de experiência em Especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.747Palavras-chave:
osteorradionecrose, mandíbula, radioterapia, osteotomia mandibularResumo
Introdução: A osteorradionecrose dos maxilares (ORN) é uma complicação grave, tardia e progressiva decorrente da radioterapia, especialmente na região de cabeça e pescoço. Trata-se de uma condição em que o osso previamente irradiado pode evoluir para um quadro de necrose asséptica, caracterizado por exposição óssea persistente por mais de três meses, ausência de cicatrização e sem recidiva tumoral associada. Essa condição está frequentemente relacionada a procedimentos invasivos, como exodontias, além de fatores locais e sistêmicos que comprometem a capacidade de reparo tecidual. Sua fisiopatologia envolve hipóxia, hipovascularização e hipocelularidade, levando à falha no reparo ósseo e necrose progressiva. A mandíbula está mais suscetível ao desenvolvimento de ORN quando comparada à maxila, em razão de sua vascularização mais limitada. Clinicamente, manifesta-se por dor, exposição óssea, infecções, fístulas e, em casos avançados, fraturas patológicas, podendo impactar significativamente a qualidade de vida do paciente. Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivida pela discente de especialização em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial sobre atendimento de um caso de osteorradionecrose mandibular em estágio avançado, tratado por meio de ressecção segmentar e reconstrução com placa de titânio. Descrição do Experiência: Durante as atividades clínicas acompanhadas no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Metropolitano Odilon Behrens, foi possível observar e participar da condução de um caso de osteorradionecrose mandibular em paciente previamente submetido à radioterapia. Paciente do sexo masculino, de 70 anos, com histórico de radioterapia para tratamento de linfoma em 2016, procurou atendimento no referido serviço apresentando dor, sinais de infecção local e exposição óssea na região mandibular direita após exodontia do dente 46. Diante do quadro clínico apresentado, foi solicitado exame radiográfico panorâmico, que evidenciou lesão mista extensa comprometendo a região de corpo e ângulo mandibular direito, levantando a suspeita de osteorradionecrose associada ao histórico de radioterapia. A conduta inicial incluiu realização de curetagem no local e limpeza com soro fisiológico, além de orientação para higiene com digluconato de clorexidina 0,12% e solicitação de exames laboratoriais pré-operatórios, visando o controle do quadro infeccioso e a melhora das condições locais para abordagem cirúrgica. Foi realizada biópsia incisional e remoção de sequestro ósseo por acesso intra-oral, sob anestesia geral, devido ao risco de fratura mandibular. O procedimento incluiu incisão em rebordo alveolar, desbridamento e envio do material para análise histopatológica, que confirmou osteonecrose sem sinais de malignidade. Diante da extensão da lesão e da evolução clínica, optou-se então pela ressecção segmentar da mandíbula, realizada sob anestesia geral e acesso submandibular (Risdon), com incisão 2cm abaixo da borda inferior. Realizou-se a remoção do osso necrótico e da fístula intra e extraoral, seguida de instalação de placa de reconstrução 2.4 trilock, adaptada ao osso remanescente. A ferida foi suturada por primeira intenção. O pós-operatório foi satisfatório, sem intercorrências, com cicatrização adequada e ausência de recidiva. O paciente segue em acompanhamento ambulatorial. Resultados: O tratamento cirúrgico adotado permitiu o controle da infecção e a remoção completa do tecido necrótico, promovendo adequada cicatrização e restabelecimento das condições funcionais da mandíbula. A reconstrução com placa de titânio mostrou-se eficiente na manutenção da estabilidade óssea, sem intercorrências no período pós-operatório e sem sinais de recorrência da lesão até o momento. Conclusão: A experiência clínica acompanhada durante a especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial permitiu observar que a ressecção segmentar associada à reconstrução com placa de titânio pode representar uma alternativa eficaz no manejo de casos avançados de osteorradionecrose. A condução do caso reforçou a importância do diagnóstico precoce, do planejamento cirúrgico individualizado e da abordagem no tratamento dessa condição. Além disso, a vivência clínica evidenciou a necessidade de acompanhamento longitudinal desses pacientes, com o objetivo de prevenir complicações e possibilitar a identificação precoce de eventuais recorrências, contribuindo para melhores desfechos terapêuticos.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA DO CROMG

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com finalidade de manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais serão enviadas aos autores. Deve ser consignada a fonte de publicação original. Os originais não serão devolvidos aos autores. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
