Osteorradionecrose mandibular

relato de experiência em Especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

Autores

  • Raissa Campos Neves de Moraes https://orcid.org/0009-0003-2907-9306
  • Rodolpho Valentini Neto UFMG
  • Carlos José de Paula Silva Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Marcelo Drummond Naves Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Leandro César Silva Contarini UFMG
  • Marcelo Dias Moreira de Assis Costa UFMG

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.747

Palavras-chave:

osteorradionecrose, mandíbula, radioterapia, osteotomia mandibular

Resumo

Introdução: A osteorradionecrose dos maxilares (ORN) é uma complicação grave, tardia e progressiva decorrente da radioterapia, especialmente na região de cabeça e pescoço. Trata-se de uma condição em que o osso previamente irradiado pode evoluir para um quadro de necrose asséptica, caracterizado por exposição óssea persistente por mais de três meses, ausência de cicatrização e sem recidiva tumoral associada. Essa condição está frequentemente relacionada a procedimentos invasivos, como exodontias, além de fatores locais e sistêmicos que comprometem a capacidade de reparo tecidual. Sua fisiopatologia envolve hipóxia, hipovascularização e hipocelularidade, levando à falha no reparo ósseo e necrose progressiva. A mandíbula está mais suscetível ao desenvolvimento de ORN quando comparada à maxila, em razão de sua vascularização mais limitada. Clinicamente, manifesta-se por dor, exposição óssea, infecções, fístulas e, em casos avançados, fraturas patológicas, podendo impactar significativamente a qualidade de vida do paciente. Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivida pela discente de especialização em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial sobre atendimento de um caso de osteorradionecrose mandibular em estágio avançado, tratado por meio de ressecção segmentar e reconstrução com placa de titânio. Descrição do Experiência: Durante as atividades clínicas acompanhadas no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Metropolitano Odilon Behrens, foi possível observar e participar da condução de um caso de osteorradionecrose mandibular em paciente previamente submetido à radioterapia. Paciente do sexo masculino, de 70 anos, com histórico de radioterapia para tratamento de linfoma em 2016, procurou atendimento no referido serviço apresentando dor, sinais de infecção local e exposição óssea na região mandibular direita após exodontia do dente 46. Diante do quadro clínico apresentado, foi solicitado exame radiográfico panorâmico, que evidenciou lesão mista extensa comprometendo a região de corpo e ângulo mandibular direito, levantando a suspeita de osteorradionecrose associada ao histórico de radioterapia. A conduta inicial incluiu realização de curetagem no local e limpeza com soro fisiológico, além de orientação para higiene com digluconato de clorexidina 0,12% e solicitação de exames laboratoriais pré-operatórios, visando o controle do quadro infeccioso e a melhora das condições locais para abordagem cirúrgica. Foi realizada biópsia incisional e remoção de sequestro ósseo por acesso intra-oral, sob anestesia geral, devido ao risco de fratura mandibular. O procedimento incluiu incisão em rebordo alveolar, desbridamento e envio do material para análise histopatológica, que confirmou osteonecrose sem sinais de malignidade.  Diante da extensão da lesão e da evolução clínica, optou-se então pela ressecção segmentar da mandíbula, realizada sob anestesia geral e acesso submandibular (Risdon), com incisão 2cm abaixo da borda inferior. Realizou-se a remoção do osso necrótico e da fístula intra e extraoral, seguida de instalação de placa de reconstrução 2.4 trilock, adaptada ao osso remanescente. A ferida foi suturada por primeira intenção. O pós-operatório foi satisfatório, sem intercorrências, com cicatrização adequada e ausência de recidiva. O paciente segue em acompanhamento ambulatorial. Resultados: O tratamento cirúrgico adotado permitiu o controle da infecção e a remoção completa do tecido necrótico, promovendo adequada cicatrização e restabelecimento das condições funcionais da mandíbula. A reconstrução com placa de titânio mostrou-se eficiente na manutenção da estabilidade óssea, sem intercorrências no período pós-operatório e sem sinais de recorrência da lesão até o momento. Conclusão: A experiência clínica acompanhada durante a especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial permitiu observar que a ressecção segmentar associada à reconstrução com placa de titânio pode representar uma alternativa eficaz no manejo de casos avançados de osteorradionecrose. A condução do caso reforçou a importância do diagnóstico precoce, do planejamento cirúrgico individualizado e da abordagem no tratamento dessa condição. Além disso, a vivência clínica evidenciou a necessidade de acompanhamento longitudinal desses pacientes, com o objetivo de prevenir complicações e possibilitar a identificação precoce de eventuais recorrências, contribuindo para melhores desfechos terapêuticos.

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Publicado

2026-04-17

Como Citar

Moraes, R. C. N. de, Valentini Neto, R., Silva, C. J. de P., Naves, M. D., Contarini, L. C. S., & Costa, M. D. M. de A. (2026). Osteorradionecrose mandibular: relato de experiência em Especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. REVISTA DO CROMG, 25(Supl.1). https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.747