Ausência da Nos2 associada à redução na profundidade de invasão do carcinoma de células escamosas bucal em camundongos tratados com 4NQO.
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.393Palavras-chave:
carcinogênese, óxido nítrico, invasividade neoplásicaResumo
Introdução/ Justificativa: O óxido nítrico é uma molécula gasosa cujo papel foi identificado em uma variedade de condições fisiológicas e patológicas, incluindo o câncer, no qual parece atuar alternadamente como agente promotor e inibidor de tumores. Durante as múltiplas etapas da carcinogênese bucal, estudos têm demonstrado que a expressão de marcadores relacionados ao óxido nítrico parece aumentar. A carcinogênese experimental em modelos animais surge, portanto, como um método que permite a investigação da participação do óxido nítrico e das enzimas óxido nítrico sintases (NOSs) em diferentes etapas do desenvolvimento tumoral dentro de condições controladas, considerando também as variadas interações celulares existentes no organismo e possibilitando a proposição de vias de sinalização relacionadas a esse fenômeno. Poucos estudos desta natureza foram desenvolvidos. Objetivo: O intuito desse estudo foi avaliar a influência da óxido nítrico sintase induzível (Nos2) na carcinogênese oral, analisando a incidência e características clinicopatológicas de lesões epiteliais observadas na língua em camundongos Nos2+/+ (selvagem) e Nos2-/- (knockout) tratados com N-óxido de 4-nitroquinolina (4NQO), bem como, observar os marcadores histopatológicos, inflamatórios sistêmicos e epigenéticos nesses animais. Materiais e métodos: Nossa unidade experimental consistiu em camundongos machos Mus musculus de duas cepas diferentes: C57BL/6J (tipo selvagem, Nos2+/+) e B6.129P2-Nos2tm1Lau/J (knockout, Nos2-/-). Uma solução de N-óxido de 4-nitroquinolina a 50ug/mL foi administrada na água de beber de 31 camundongos, sendo 15 Nos2+/+ e 16 Nos2-/-, por 16 semanas, e os resultados foram comparados com grupos de controle (n=15) tratados com propilenoglicol após um período de observação de 8 semanas. As línguas foram avaliadas quanto à incidência de lesões macroscópicas e microscópicas. Os dados coletados incluíram o número, localização e características histológicas das lesões observadas, incluindo grau de displasia, padrão de crescimento, diferenciação tumoral e profundidade de invasão. Os procedimentos experimentais foram aprovados pela Comissão de Ética em Experimentação Animal (CEUA-UFU, registro nº 100/18). Resultados: Com esse modelo misto, foi possível analisar a influência da ausência de óxido nítrico sintase induzível nas características clínico-patológicas das lesões epiteliais induzidas por 4NQO. Lesões macroscópicas foram observadas na língua de 69,2% (n=9/13) dos camundongos Nos2+/+ e 75% (n=12/16) dos camundongos Nos2-/-. Elas ocorreram principalmente na parte posterior da língua dos camundongos Nos2-/- (55,6%) e na parte anterior do dorso dos camundongos Nos2+/+ (45,5%), consistindo em carcinoma de células escamosas (44,4% em Nos2-/- e 41,7% em Nos2+/+) e papiloma escamoso (38,9% e 41,7%, respectivamente). Todos os animais tratados que não apresentaram alterações no exame macroscópico tinham lesões microscópicas no epitélio. No entanto, as diferenças observadas foram restritas à profundidade de invasão do carcinoma de células escamosas, que foi significativamente menor em camundongos Nos2-/-. A mediana da profundidade de invasão nos cânceres dos animais Nos2+/+ e Nos2-/- foi de 233,5μm (933,3) e 142,6 μm(458,7), respectivamente, uma diferença significativa (p=0,0184). Conclusão: A ausência de óxido nítrico sintase induzível não afeta a incidência de lesões epiteliais induzidas por carcinógenos, mas reduz a invasividade tumoral do câncer de boca.
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