Determinantes para dor de dente em pré-escolares avaliada através do Discomfort Questionnaire-B
coorte de três anos
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.462Palavras-chave:
dor de dente, cáries dentárias, criança, pré-escolaResumo
Introdução/Justificativa: A dor dentária constitui um problema de saúde pública que impacta negativamente na qualidade de vida da criança. Compreender os fatores que determinam sua ocorrência é importante para o estabelecimento de prioridades e estratégias voltadas para o bem estar físico e emocional na infância. No entanto, a realização de investigações nesse sentido encontra limitações quando direcionadas a crianças em idade pré-escolar, devido à dificuldade em identificar a dor dentária nessa faixa etária. Assim, foi desenvolvido na Holanda e posteriormente validado no Brasil, o Dental Discomfort Questionnaire (DDQ), uma ferramenta projetada para superar as limitações de medição e minimizar a imprecisão na avaliação da dor nessa população. Soma-se ao exposto a escassez de estudos de coorte prospectivos, que representam a abordagem de pesquisa mais adequada para identificar fatores de risco associados à dor dentária em pré-escolares. Objetivos: Determinar os fatores de risco para a incidência de dor dentária em um estudo longitudinal prospectivo envolvendo crianças pré-escolares. Metodologia: Foi realizado um estudo de coorte prospectivo com uma amostra aleatória de 151 crianças de um a três anos de idade e seus pais/cuidadores por um período de três anos em Diamantina, Minas Gerais, Brasil. O estudo foi conduzido de acordo com os preceitos éticos estipulados na Declaração de Helsinque e recebeu aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (certificado número: 1.921.084). O baseline desse estudo incluiu crianças selecionadas por sorteio simples através de uma lista fornecida pela Secretária Municipal de Saúde. As crianças foram alocadas em dois grupos de acordo com a exposição principal adotada nesse estudo (presença de cárie dentária no baseline). Crianças que apresentavam cárie dentária no baseline foram alocadas no grupo de expostos e aquelas que não apresentavam cárie dentária no baseline no grupo de não expostos. Três anos após o baseline, as crianças foram convidadas para o follow-up. A coleta de dados envolveu exames clínicos bucais das crianças e aplicação de questionário em formato de entrevista aos pais/responsáveis. A dor de dente foi avaliada pela versão brasileira do Dental Discomfort Questionnaire (DDQ-B) no baseline e no follow-up para o cálculo da incidência. Os participantes foram examinados clinicamente para cárie dentária, usando critérios o International Caries Detection and Assessment System (ICDAS II) e para traumatismo dentário, utilizando os critérios propostos por Andreasen (2007). Os pais/responsáveis foram solicitados a responder um questionário aplicado em formato de entrevista abordando características sociodemográficas, econômicas e frequência de consumo alimentar que foram investigados no baseline e no follow-up de três anos. Os resultados obtidos foram analisados através do software Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 22.0. A análise dos dados incluiu análises descritivas e análise de regressão de Poisson. Foram calculadas razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC 95%). Resultados: Um total de 151 crianças participou de todas as etapas do estudo. A média de idade foi de 28.5 meses (desvio padrão: 10.8) no baseline e 66.6 meses (desvio padrão: 11.9) no follow-up. No início do estudo, 54 crianças (35,8%) apresentavam dor dentária, com incidência no follow-up de 14,6%. Na análise de regressão univariada de Poisson, a incidência de cárie (p = 0.013) e a ausência de tratamento odontológico durante o período de follow-up (p = 0.001) foram associadas à incidência de dor dentária. Após o ajuste por variáveis confundidoras, a incidência de cárie (RP = 3.47; IC 95%: 1.04-11.59) e ausência de tratamento odontológico durante o follow-up (RP = 2.60; 95 IC %: 1.14-5.94) permaneceram associadas à maior incidência de dor dentária. Conclusão: Incidência de cárie dentária e ausência de tratamento odontológico no follow-up foram fatores de risco para maior incidência de dor dentária em pré-escolares.
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