Avaliação do impacto da pandemia do COVID-19 na epidemiologia do trauma bucomaxilofacial no município de Diamantina - MG
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.527Palavras-chave:
cirurgia bucal, epidemiologia, COVID-19Resumo
Introdução/Justificativa: A pandemia da COVID-19, ocasionada pelo vírus SARS-Cov 2, se iniciou em meados dos meses de novembro e dezembro de 2019, sendo anunciada formalmente pela Organização Mundial da Saúde em 30 de janeiro de 2020, durou cerca de 3 anos, e resultou em grande impacto na sociedade. Alguns autores destacam que desastres naturais e emergências graves em saúde mudam o curso dos padrões epidemiológicos de patologias que acometem a população. Acompanhar e avaliar a mudança destes padrões é de extrema importância, pois somente assim é possível realizar planejamento em saúde pública, visando a prevenção e estruturação do sistema de saúde. A cirurgia bucomaxilofacial, responsável por grande parte dos atendimentos de trauma e patologias associadas a face, foi duramente afetada durante os bloqueios impostos para contenção da contaminação pelo vírus. Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar os impactos nos atendimentos realizados durante a pandemia, e se houve alterações nos padrões epidemiológicos do trauma bucomaxilofacial. Metodologia: Foi realizado um estudo retrospectivo com os prontuários clínicos da equipe de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) da Santa Casa de Caridade de Diamantina (SCCD) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Os dados contidos nos prontuários foram divididos em dois grupos: “pré-pandemia” e “durante a pandemia”, com a data do dia 26 de fevereiro de 2020 dividindo os dois grupos. O primeiro grupo foi avaliado dois anos anterior a esta data, e o segundo, dois anos após. A análise estatística foi realizada utilizando o Statistical Package for Social Science for Windows 22 (SPSS). Resultados: Os resultados apontaram uma diminuição nos atendimentos realizados durante a pandemia, assim como ocorreu em outros estudos da área. Esta diminuição no número de atendimentos pode ser justificada pelo isolamento social e o medo de contrair a COVID-19, nos casos em que havia possibilidade de hospitalização. As características sociodemográficas do trauma manteve a prevalência de indivíduos do sexo masculino, entre terceira e quarta década de vida, pardos e trabalhadores rurais. O acidente motociclístico continuou sendo o principal fator para o trauma bucomaxilofacial, seguido da agressão física e acidente de trabalho. O aumento nos casos de agressão física é justificado pelo aumento do estresse relacionado ao isolamento social, aumento no consumo de álcool e conflitos políticos. Além disso, houve uma diminuição nos acidentes esportivos, em função das medidas de isolamento social, e traumas decorrentes de queda de própria altura, devido à média das idades atendidos no serviço de CTBMF, uma vez que este tipo de trauma é mais comum em pacientes idosos. As regiões faciais mais afetadas foram osso zigomático, corpo e ângulo mandibular e ossos nasais. Houve prevalência do trauma facial com fratura simples, sem ou com leve deslocamento, não sendo observado um aumento da gravidade do trauma bucomaxilofacial em função da pandemia da COVID-19. O tratamento mais utilizado no período durante a pandemia foi o tratamento conservador, ao contrário do período pré-pandemia em que a redução aberta com fixação interna rígida foi o mais utilizado. A predileção por tratamento conservador se deu pela superlotação da SCCD, que foi responsável pelos atendimentos de alta complexidade decorrentes das complicações da COVID-19. Associações entre etiologia, fatores de risco e gravidade do trauma não foram possíveis de serem realizadas devido à falta de informações dos prontuários clínicos. Conclusão: Concluiu-se que a predominância das vítimas atendidas foi do sexo masculino, com média de idade de 35 anos, pardos e trabalhadores rurais. Este tipo de atividade exercida justifica o aumento nos casos de traumas decorrentes de acidentes trabalhistas. O acidente motociclístico continuou sendo a maior causa de trauma bucomaxilofacial, independente do período avaliado. Para minimizar erros em pesquisas futuras, decorrentes da falta de informação de prontuários, sugerimos um novo modelo de prontuário para a equipe de CTBMF da UFVJM.
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