A medicação preemptiva reduz a dor trans e pós-operatória em procedimentos de exodontia ou endodontia de dentes decíduos?
uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.544Palavras-chave:
crianças, pré-medicação, dor, analgésico, anti-inflamatórioResumo
Introdução/Justificativa: Embora o controle da dor durante procedimentos odontológicos possa ser rotineiramente alcançado com o uso de anestésicos locais, a própria injeção da anestesia é considerada dolorosa para a maioria dos pacientes. Portanto, esse ainda é um desafio, principalmente na Odontopediatria. Um estudo demonstrou que a anestesia local pode não ser suficiente na redução da dor durante e após o tratamento. Revisar as evidências disponíveis sobre esse tema é importante para o desenvolvimento de protocolos de prescrição que resultem em um maior conforto ao paciente. Além disso, a redução da dor é importante, visto que crianças que já passaram por experiências dolorosas durante tratamentos prévios são mais ansiosas, de maneira que, devido à ansiedade, podem recusar o tratamento o que pode resultar no agravamento de doenças como cárie. Com o objetivo de prevenir ou reduzir a ocorrência de sintomatologia dolorosa durante e após os procedimentos, pode-se lançar mão de medicação preemptiva. Nesse caso, o medicamento é administrado antes do procedimento. Medicamentos com ação analgésica como o paracetamol e analgésica e anti-inflamatória como o ibuprofeno são os mais comumente usados nessas situações. Objetivos: Esse estudo teve como objetivo revisar sistematicamente a literatura sobre medicação preemptiva e redução de dor trans e pós-operatória em procedimentos de exodontia e endodontia de dentes decíduos. Metodologia: A revisão foi realizada com base nas diretrizes Cochrane e PRISMA e cinco bases de dados foram pesquisadas (PubMed, Web of Sciences, Virtual Health Library, SCOPUS e Cochrane), além da literatura cinza (Google Scholar e Opengrey). A pergunta clínica “Medicação preemptiva previne ou reduz a dor trans e pós-operatória em procedimentos de exodontia ou endodontia de dentes decíduos?” foi estabelecida com base na estratégia PICO (População, Intervenção, Comparação, Desfecho). A População foi composta por crianças submetidas a procedimentos endodônticos ou de exodontia em dentes decíduos. Como Intervenção, os estudos investigaram o uso preventivo de algum medicamento para a redução da dor trans e pós-operatória comparando-os ao uso de placebo ou outro medicamento (comparações entre diferentes medicamentos) com o mesmo fim (um mesmo medicamento poderia ser avaliado tanto como intervenção como comparação em diferentes análises). O desfecho foi a presença e/ou intensidade da dor trans e pós operatória e foi investigada através de um instrumento validado. A ferramenta RoB 2.0 foi usada para avaliar o risco de viés dos estudos incluídos. Resultados: Foram incluídos sete ensaios clínicos randomizados. A comparação do uso preemptivo de paracetamol com placebo foi realizada em quatro estudos e em dois deles foram observados menores escores de dor após exodontia nos grupos que fizeram o uso do paracetamol (P < 0,05). Já para a comparação de ibuprofeno com placebo, dos seis estudos incluídos, em quatro os participantes que receberam ibuprofeno relataram menores escores de dor. A comparação do uso do ibuprofeno com paracetamol foi realizada em quatro estudos e em dois deles, os participantes que receberam Ibuprofeno relataram menos dor no trans e pós operatória. Nos demais não houve diferença significativa entre os dois medicamentos. Na avaliação qualitativa, cinco estudos apresentaram baixo risco de viés e dois apresentaram algumas preocupações. Conclusão: É possível sugerir que a analgesia preemptiva em crianças submetidas a procedimentos mais invasivos em dentes decíduos seja eficaz para redução de dor trans e pós-operatória. O Ibuprofeno comparado ao paracetamol parece apresentar melhores resultados. No entanto, esta avaliação se deu de forma qualitativa, uma vez que heterogeneidade entres os estudos não permitiram que metanálises fossem realizadas. Assim, mais estudos são necessários para que a evidência seja estabelecida.
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