A localização incomum de adenoma pleomorfo
relato de caso clínico
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.549Palavras-chave:
adenoma pleomórfico, glândulas salivares, neoplasiasResumo
Introdução: Os adenomas pleomorfos são neoplasias benignas que acometem as glândulas salivares e apresentam uma diversidade histológica relevante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o adenoma pleomorfo é definido como um tumor localizado, com características pleomórficas ou mistas de origem epitelial, que se apresenta entrelaçado com tecido mixóide, tecido mucóide e massas condroides. Clinicamente, o adenoma pleomorfo apresenta-se, geralmente, como um inchaço de crescimento lento, indolor e firme.4Para além, não costuma causar ulcerações na mucosa subjacente. Em uma revisão sistemática realizada no ano de 2020, na qual foram incluídos 22 artigos completos, a idade de ocorrência do adenoma pleomorfo variou de 13 a 75 anos, com uma média de 44,14 anos. O sexo feminino foi o mais acometido, com uma proporção de 13 mulheres para 8 homens. Já acerca da localização, os mais comumente acometidos pelo tumor foram: pescoço; seguidos por palato duro, lábio superior, palato mole, nasofaringe, região submandibular, conduto auditivo externo e lóbulo da orelha. Descrição do caso: Paciente do sexo masculino, cor preta, 42 anos, procurou a Clínica de Estomatologia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri com queixa de um “caroço” no “canto” da boca. Segundo informações do paciente, houve um surgimento de uma acne em região de comissura labial e que, após um trauma local, houve crescimento exacerbado de forma lenta e indolor. Ao exame clínico extra-oral, foi observado um nódulo próximo à comissura labial, de sensibilidade e cor normais, consistência fibroelástica, superfície lisa e formato ovoide. A lesão apresentava bordas elevadas, inserção séssil e contorno regular, medindo aproximadamente 2 x 1,5 x 0,3 cm. Nenhum aspecto de anormalidade foi encontrado na pele sobrejacente. Ademais, durante a inspeção da lesão, intra oralmente não foi possível averiguar qualquer correlação desse com o nódulo extra oral. Diante dos achados clínicos, as hipóteses diagnósticas foram cisto epidermóide/dermóide, hiperplasia fibrosa, neurofibroma, fibrolipoma e adenoma pleomorfo. Procedeu-se então com a biópsia excisional da lesão, sob anestesia local. Foi realizada sutura intradérmica e o material encaminhado para análise histopatológica. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências. Resultados: O exame microscópico revelou fragmentos de neoplasia benigna de origem nas glândulas salivares menores, bem delimitada por cápsula fibrosa. As células neoplásicas epiteliais proliferam formando ninhos, cordões e estruturas ductiformes, com material eosinofílico no seu interior. As células mioepiteliais proliferam e fazem estromatização condroide, que predomina por toda a lesão. O diagnóstico histopatológico foi de adenoma pleomorfo. Após 07 dias, o paciente retornou e foi observada uma excelente recuperação. Como se tratava de área estética, foi possível observar que a escolha da sutura intradérmica foi de grande valia, o que acarretou em uma cicatrização satisfatória. Considerações finais: Na literatura, são relatados poucos relatos acerca do adenoma pleomorfo em localizações que fogem das regiões de comum ocorrência. Desse modo, é de suma importância que o cirurgião-dentista tenha conhecimento acerca da sua área de atuação, reconheça a necessidade de proceder com um exame clínico integral e minucioso, a fim de que as patologias sejam precocemente diagnosticadas e o tratamento ideal seja estabelecido. Ademais, entende-se a relevância de discutir em ambiente acadêmico à luz da literatura científica sobre esse assunto.
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