Reabilitação oclusal por meio de restaurações biológicas, restabelecimento estético e funcional em paciente com bruxismo severo
relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.569Palavras-chave:
restauração biológica, colagem dentária, bruxismo, erosão dentária, dimensão vertical de oclusãoResumo
Introdução: A técnica da restauração biológica, também conhecida como colagem de fragmento, consiste na seleção, preparação, adaptação e cimentação de um fragmento ou grande parte de um dente, seja do próprio paciente (autógeno) ou de outro indivíduo (homógeno), sendo utilizada em dentes afetados por perda ou desgaste de estrutura. Ela vem ganhando destaque frente às demais técnicas no restabelecimento funcional e estético devido às vantagens como biocompatibilidade, semelhança de propriedades físicas e estéticas, satisfação do paciente e custo acessível. Descrição do Caso: Paciente do sexo masculino, 41 anos, portador de bruxismo severo e refluxo gastroesofágico, com perda da dimensão vertical de oclusão (DVO) devido ao desgaste excessivo da estrutura dentária. Foi desenvolvida a recuperação estética e funcional, através do aumento das coroas clínicas e restabelecimento da dimensão perdida. Inicialmente, isso se deu por meio de tratamento com placa miorrelaxante, com espessura de 3 mm, sendo utilizada até que sua musculatura se adaptasse à nova DVO. Em seguida, efetuou-se o preparo dos elementos dentários 34, 35, 36, 37, 44, 45, 46 e 47, através da regularização da superfície oclusal e da separação interproximal utilizando as pontas diamantadas cilíndrica e ponta de lápis acopladas a alta rotação. De maneira subsequente, sucedeu-se a moldagem da região preparada em silicona de adição, para posterior vazamento em gesso e montagem em articulador semi-ajustável com auxílio de arco facial. Os elementos dentários do modelo utilizados para o recorte dos fragmentos foram troquelizados através da técnica do pino Dowell. Logo após, no Banco de Dentes Humanos (BDH) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), foram escolhidos os dentes que serviriam para a confecção das restaurações biológicas. Seguidamente, efetuou-se o recorte dos fragmentos dentários, tendo em vista que ele acontece até a superfície interna do fragmento ser uma cópia em negativo da superfície oclusal do elemento dental preparado. A seguir, quando a melhor adaptação possível já havia sido conseguida, sucedeu-se o ajuste do selamento marginal com resina composta e, também, o ajuste oclusal prévio, ambos ainda sobre os modelos. Subsequentemente, desempenhou-se a cimentação das restaurações biológicas sobre os elementos dentários 34, 35, 36, 37, 44, 45, 46 e 47, utilizando o cimento resinoso dual como agente cimentante, com o auxílio de isolamento absoluto, a fim de garantir o melhor desempenho desse sistema. Além disso, realizou-se a reconstrução anatômica, faceta em resina composta nos elementos 31, 32, 33, 41, 42 e 43 e restaurações provisórias com dentes de estoque e resina acrílica nos dentes anteriores superiores. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição sob o número: 6.226.378. Discussão: As restaurações biológicas surgem como opção para reabilitação dental, apresentando várias vantagens como o grande alcance social devido ao baixo custo, conservação de estrutura dental, preservação de características naturais (cor, textura, reflexão da luz, forma, lisura superficial, módulos de elasticidade, dilatação e contração e aspectos emocionais positivos). A técnica exige habilidade manual, mas é acessível e eficaz, demandando atenção aos detalhes aos processos de: isolamento, adesividade e cimentação. No que tange a longevidade, estudos demonstram ser duradoura caso todas as etapas da execução da técnica sejam realizadas de maneira rigorosa, sendo elas o respeito a hidratação do fragmento, a utilização de isolamento absoluto, a aplicação de um sistema adesivo de qualidade, a preservação das margens em esmalte e a escolha de um agente cimentante efetivo. No entanto, existem obstáculos no acesso ao bancos de dentes, principalmente em casos de amplas reabilitações, e na rejeição por parte de alguns pacientes. Conclusão: A restauração biológica homógena, técnica de colagem de fragmentos dentários de outros indivíduos da mesma espécie, é viável em casos de grande desgaste da estrutura dentária, mesmo quando em um grande grupo de dentes, como no caso do bruxismo severo conjugado com a erosão dentária por refluxo gastroesofágico. É um método restaurador com amplo alcance social devido ao baixo custo, que representa uma vasta possibilidade de restabelecimento funcional e estético, através da viabilidade do restabelecimento da coroa clínica e restauração da DVO, principalmente quando conjugada com outras técnicas restauradoras como a reanatomização e facetas em resina composta.
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