Desafios de estudantes neurodivergentes no ensino superior

Autores

  • Silvia Rocha Villalba Costa Faculdade Arnaldo Janssen
  • Daniel Henrique da Silva Guimarães Faculdade Arnaldo Janssen https://orcid.org/0009-0008-5364-4033
  • Laura Ávila Soares Faculdade Arnaldo Janssen https://orcid.org/0009-0002-3879-6836
  • Graciele Sumika Freitas Sonobe Faculdade Arnaldo Janssen
  • Patricia Alves Drummond Oliveira Faculdade Arnaldo Janssen

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v23.652

Palavras-chave:

Transtorno do Espectro Autista (TEA), Dislexia, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Resumo

Introdução: A crescente presença de acadêmicos neurodivergentes, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Dislexia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), nas universidades, levanta questões sobre suas necessidades específicas. O TEA, caracterizado por déficits na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos, e o TDAH, manifestando-se em desatenção, hiperatividade e impulsividade, afetam significativamente a esfera acadêmica, profissional e social. A Dislexia, um transtorno neurobiológico complexo, dificulta a leitura e a escrita devido a problemas na decodificação fonológica. O diagnóstico dessas condições envolve avaliações clínicas multidisciplinares baseadas no DSM-5, considerando a individualidade dos pacientes. O ingresso desafiador dos estudantes neurodivergentes no ensino superior está quebrando paradigmas no modo como pensamos sobre o ensino e a aprendizagem. A inclusão desses estudantes no ensino superior é respaldada pela Lei 12.764/2012, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.145/2015) e a Lei 13.977/2020, que garantem acessibilidade e apoio. No entanto, a falta de compreensão sobre essas neurodivergências afeta negativamente a experiência acadêmica, podendo levar a estresse, desregulação emocional, ansiedade, desorganização extrema e depressão, culminando na desistência dos estudos. Objetivos: Este estudo buscou compreender os desafios enfrentados pelos estudantes neurodivergentes, melhorando seu desenvolvimento no ambiente acadêmico e, assim, contribuindo para a sociedade. Metodologia: Os métodos adotados para esta revisão incluíram uma busca criteriosa em bases de dados científicas, como PubMed, Scielo e BBO, bem como fontes governamentais, focando em estudos recentes publicados nos últimos dez anos. O método inicial adotado foi uma triagem dos títulos e dos resumos, seguida de uma análise detalhada do texto completo. A extração de dados foi desenvolvida no protocolo padronizado para extrair informações dos estudos selecionados na população alvo com TEA, Dislexia e TDAH. Foram excluídos estudos que não abordam neurodivergentes do ensino superior com Transtorno do Espectro Autista, Dislexia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, além de estudos de revisão de literatura. Resultados:  As condições neurodivergentes distintas ou especificas podem ser diagnosticadas de forma associada, podendo até serem múltiplas, quando ocorrem mais de três transtornos no mesmo indivíduo, ou também diagnosticadas separadamente. O critério de diagnóstico varia de acordo com cada transtorno. No entanto, é importante ressaltar que esses diagnósticos são clínicos e envolvem várias etapas, tais como escalas de gravidade, que pode ser leve, moderada, grave ou profunda e avaliações complementares. A incidência de acadêmicos neurodivergentes que ingressam nas universidades com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Dislexia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), vem aumentando sucessivamente a cada ano.  Algumas leis foram criadas para promover a inclusão e o acesso dos estudantes com deficiências ou algum outro tipo de necessidade especial que precisem de adaptações em sala de aula, ou mesmo no ambiente em comum acadêmico, em instituições públicas e privadas. Além disso, os estudantes com dificuldade de aprendizado ou comunicação estão assegurados pela lei. A análise detalhada dos resultados destacou não apenas os desafios enfrentados pelos estudantes, mas também as estratégias promissoras implementadas por algumas instituições para melhorar a inclusão e o sucesso acadêmico desses indivíduos. Os achados desta revisão enfatizam a necessidade premente de políticas educacionais mais abrangentes e adaptativas que não apenas reconheçam, mas também apoiem de forma eficaz os estudantes neurodivergentes no ensino superior. Conclusão: A inclusão é um aspecto crucial na educação, especialmente quando se trata de estudantes neurodivergentes. É essencial entender suas experiências para criar um ambiente de ensino superior que seja verdadeiramente inclusivo. A contínua  reflexão e o aprimoramento das práticas educacionais visam criar um ambiente inclusivo que promova não apenas a aprendizagem, mas também o bem-estar desses estudantes. Assim, este estudo contribuiu para o entendimento dos desafios enfrentados pelos acadêmicos neurodivergentes e propondo direções para futuras pesquisas e melhorias práticas para um ambiente educacional mais inclusivo.

Biografia do Autor

Silvia Rocha Villalba Costa, Faculdade Arnaldo Janssen

Estudante de Odontologia da Faculdade Arnaldo Janssen

Daniel Henrique da Silva Guimarães, Faculdade Arnaldo Janssen

Estudante de Oontologia da Faculdade Arnaldo Janssen

Laura Ávila Soares, Faculdade Arnaldo Janssen

Conclusão do ensino médio em 2020 pela Fundação de ensino de Contagem (FUNEC). Graduanda em odontologia pela faculdade Arnaldo Janssen.

Graciele Sumika Freitas Sonobe, Faculdade Arnaldo Janssen

Autista nível 2 com múltiplas comorbidades e sem deficiência cognitiva. Desde o nascimento, enfrentei desafios como alergias extremas a ambientes, tecidos, luz solar e alimentos, além de dificuldades para dormir. Morei 20 anos no Japão, da adolescência à fase adulta.Ser autista com múltiplas comorbidades não atrapalha no exercício da odontologia, pelo contrário, me torna uma profissional melhor. Atualmente, aguardo a convocação do concurso como a primeira PCD dentista a ingressar em um hospital público em Belo Horizonte, MG.

Patricia Alves Drummond Oliveira, Faculdade Arnaldo Janssen

Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1997). É especialista em Odontopediatria pela PUC-MG (2006). Mestre em Odontologia - Área de concentração Odontopediatria na UFMG (2011). Doutora em Odontologia pela UFMG (2015). Coordenou a área de concentração de Odontopediatria na Associação Brasileira de Odontologia em Minas Gerais de dezembro de 2013 a dezembro de 2014. Coordenou do Curso de Odontologia da FEAD (2017-2019). Presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria, regional Minas Gerais (2018/2019). Professora titular do curso de Odontologia da Faculdade Arnaldo (2019 até o presente). Professora titular do curso de Gestão Hospitalar da Faculdade Arnaldo (2021 até o presente). Professora nos cursos de especialização em Prótese e Implantodontia da Faculdade Arnaldo.

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Publicado

2024-12-12

Como Citar

Costa, S. R. V., Guimarães, D. H. da S., Soares, L. Ávila, Sonobe, G. S. F., & Oliveira, P. A. D. (2024). Desafios de estudantes neurodivergentes no ensino superior. REVISTA DO CROMG, 23(Supl.1). https://doi.org/10.61217/rcromg.v23.652