A cárie em dentes decíduos deve ser tratada?
Análise do conhecimento dos pais
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.736Palavras-chave:
criança, epidemiologia, saúde bucal, promoção da saúdeResumo
Introdução/Justificativa: A cárie dentária é considerada uma das alterações bucais mais frequentes na infância, configurando-se também como um importante desafio para a saúde pública em nível mundial. Segundo o Relatório do SB Brasil de 2023, o índice de experiência de cárie em crianças(Ceo-d) de cinco anos de idade apresenta média de 2,14 no Brasil, o que indica que as lesões de cárie ainda afetam significativamente o público infantil. Sua gravidade se intensifica quando não há intervenção adequada, podendo evoluir para comprometimentos pulpares, como inflamação, necrose e formação de abscessos, além de demandar procedimentos terapêuticos mais invasivos. Outrossim, inflamações não tratadas nos dentes decíduos podem alcançar os germes dentários sucessores, ocasionando malformações estruturais e anatômicas. A extração precoce, por sua vez, também compromete o desenvolvimento adequado da oclusão. Tais desdobramentos repercutem negativamente em diferentes dimensões da vida da criança, afetando funções básicas, bem-estar emocional e interação social, além de interferirem em atividades diárias, como a alimentação e o rendimento escolar, e gerarem impactos para os cuidadores, inclusive financeiros. Consequentemente, observa-se uma associação significativa entre a presença da doença e a piora da qualidade de vida de pré-escolares e seus familiares. Ainda assim, persiste entre algumas famílias o entendimento de que os dentes decíduos, por serem temporários, não requerem tratamento, sobretudo quando não apresentam sintomas evidentes. Sob essa perspectiva, o Relatório Final do SB Brasil 2023 mostra que 37,17% das crianças de cinco anos nunca foram ao dentista ,enquanto 45,85% não procuraram atendimento odontológico no ano anterior à pesquisa. Esses dados refletem um componente sociocultural de negligência à saúde bucal de pré-escolares no Brasil, fator que representa um risco tanto à dentição decídua, bem como a dentição permanente deste grupo. Nesse contexto, torna-se fundamental investigar o conhecimento dos pais sobre essa temática, a fim de identificar possíveis lacunas e subsidiar estratégias educativas voltadas à promoção da saúde bucal infantil. Objetivos: O objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento dos pais sobre a necessidade de tratamento da cárie em dentes decíduos. Metodologia: Este estudo caracteriza-se como uma investigação descritiva, desenvolvida no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. Participaram pais e/ou responsáveis por crianças, abordados enquanto aguardavam atendimento nas clínicas de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FAO/UFMG). A amostra foi composta por 193 indivíduos, responsáveis por crianças com faixa etária entre 1 e 12 anos. A obtenção das informações ocorreu por meio de entrevistas conduzidas por pesquisadores previamente treinados, utilizando um questionário padronizado contendo questões relacionadas a aspectos demográficos, condições socioeconômicas, ambiente familiar e condições de saúde de pais e filhos. Para avaliar o nível de conhecimento dos participantes, foi apresentada a afirmação: “A cárie em dentes de leite não precisa ser tratada”, sendo solicitado que indicassem se a consideravam verdadeira ou falsa. Posteriormente, os dados coletados foram organizados e analisados por meio de procedimentos estatísticos descritivos. Resultados: Verificou-se maior participação de responsáveis do sexo feminino (76,2%), sendo o ensino médio o nível de escolaridade mais frequente entre os participantes (54,9%). Em relação à idade, predominou a faixa entre 39 e 61 anos (51,3%), e a maioria declarou-se parda/preta (72%; n=139). Observou-se também que parcela expressiva dos participantes não realizou acompanhamento odontológico durante o período gestacional (n=123; 64,1%) e não levou a criança ao cirurgião-dentista antes da erupção do primeiro dente decíduo (n=147; 76,2%). No que se refere ao conhecimento acerca da necessidade de tratamento da cárie em dentes decíduos, apenas 7 participantes (3,6%) classificaram a afirmação como verdadeira, enquanto a maioria (n=186; 96,4%) a classificou corretamente como falsa. Conclusão: Observou-se que a maioria dos pais demonstrou conhecimento adequado ao reconhecer como falsa a afirmação de que dentes decíduos não necessitam de tratamento. Entretanto, a presença, ainda que pequena, de respostas equivocadas evidencia a persistência de concepções inadequadas, reforçando a necessidade de ações educativas contínuas voltadas à orientação de pais e responsáveis sobre a importância do cuidado e tratamento dos dentes decíduos.
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