Influência da hipomineralização molar incisivo na performance mastigatória de crianças

um estudo transversal

Autores

  • Henrique Costa dos Santos Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Millena Fernandes Silva Muniz
  • Débora Souto-Souza https://orcid.org/0000-0002-6720-314X
  • Maria Eliza da Consolação Soares
  • Maria Letícia Ramos-Jorge

DOI:

https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.748

Palavras-chave:

hipomineralização molar incisivo, mastigação, odontopediatria, criança

Resumo

Introdução/Justificativa: A performance mastigatória (PM) refere-se à capacidade das estruturas orais em triturar os alimentos de forma adequada e possui grande importância no desenvolvimento do sistema estomatognático. Dentre os meios de avaliação, a função mastigatória pode ser medida pela avaliação da performance mastigatória (PM),  que consiste na capacidade do indivíduo triturar ou moer uma amostra de partículas (alimento teste) após um número padronizado de ciclos de mastigação, assim, quanto menor o tamanho das partículas, mais eficiente será a quebra das moléculas alimentares, o que tem implicações diretas no crescimento e desenvolvimento, especialmente em crianças, uma vez que uma boa mastigação permite  a hidrólise mais rápida de macronutrientes e melhor difusão molecular, resultando em uma melhor absorção de nutrientes. A HMI é um defeito qualitativo do desenvolvimento do esmalte dentário, de origem multifatorial, que afeta pelo menos um dos primeiros molares permanentes, em associação ou não com os incisivos, caracterizada clinicamente pela presença de opacidades bem delimitadas que variam em coloração do branco ao amarelo-amarronzado. O esmalte dentário afetado apresenta menor conteúdo mineral, dureza e módulo de elasticidade, além de um aumento na porosidade, resultando em um esmalte de consistência amolecida que se fratura facilmente sob as forças da mastigação. Devido a isso, pacientes com HMI enfrentam uma série de problemas clínicos, como insatisfação estética, perda de restaurações, necessidade de reintervenções, fraturas pós-eruptivas, presença de cárie atípicas, hipersensibilidade dentinária em resposta a variações de temperatura e/ou estímulos mecânicos, e dor, especialmente durante a mastigação, impactando diretamente em sua qualidade de vida. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri sob protocolo número 1.525.953, com uma amostra de 324 crianças com idade entre sete e doze anos matriculadas em escolas públicas na cidade de Diamantina-MG, Brasil, que apresentassem os quatro primeiros molares permanentes em oclusão. O tamanho da amostra foi determinado por meio da plataforma OpenEpi, empregando-se os dados do estudo piloto: tamanho mediano das partículas em crianças sem HMI (média: 2.61, desvio-padrão: 0.85) e com HMI (média 2.91, desvio-padrão 0.88). Uma amostra de 246 participantes foi necessária para a realização do estudo. Entretanto, considerando as possíveis perdas, foram recrutadas 324 crianças. A amostra foi recrutada por conveniência em seis escolas da cidade. Indivíduos com distúrbios sistêmicos ou neurológicos, como síndrome de Down ou paralisia cerebral, aqueles que tomaram medicamentos capazes de afetar a atividade muscular, como antidepressivos, relaxantes musculares ou sedativos, que faziam uso de aparelhos ortodônticos, além daqueles que não cooperaram com o exame clínico e/ou se recusaram a participar da pesquisa foram excluídos. O exame clínico bucal foi realizado para avaliação de HMI, má oclusão, número de dentes perdidos devido à cárie, número de unidades mastigatórias e presença de cárie dentária. Para avaliação da PM, foi utilizado um alimento teste artificial (Optocal) e o método de processamento foi o peneiramento. A partir do peso das partículas retidas em cada peneira foi determinado o tamanho mediano (X50) das partículas trituradas para cada criança. Todas as variáveis foram categorizadas de acordo com sua variação durante o período de acompanhamento. O risco de impacto das variáveis sobre a PM foi testado por meio dos testes de Kolmogorov-Smirnov, Mann-Whitney e Kruskal Wallis, além de regressão linear simples e múltipla. O nível de significância adotado foi de p≤0,05. Resultados: Na análise final de regressão múltipla, o tamanho médio das partículas foi influenciado pela quantidade de unidades mastigatórias e presença de HMI. Conclusão: Crianças escolares com HMI apresentaram uma pior PM do que de crianças escolares sem HMI. Além disso, o número de unidades mastigatórias foi associado à pior PM.

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Publicado

2026-04-17

Como Citar

Santos, H. C. dos, Muniz, M. F. S., Souto-Souza, D., Soares, M. E. da C., & Ramos-Jorge, M. L. (2026). Influência da hipomineralização molar incisivo na performance mastigatória de crianças: um estudo transversal. REVISTA DO CROMG, 25(Supl.1). https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.748