Saúde digital móvel
impacto do rastreamento de lesões orais em comunidades
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.769Keywords:
neoplasias bucais, programas de rastreamento, populações vulneráveisAbstract
Introdução: O câncer de boca compreende um grupo de neoplasias malignas que comumente acometem sítios como borda lateral de língua, assoalho bucal, palato mole, lábios, mucosa jugal e gengiva. No Brasil, grande parte dos casos ainda é diagnosticado em estágios avançados, uma vez que as manifestações clínicas iniciais costumam ser assintomáticas ou pouco perceptíveis, tornando-se evidentes apenas quando o grau de displasia epitelial já se encontra elevado. Tal diagnóstico tardio dificulta o manejo clínico e reduz as taxas de sucesso terapêutico. Entre os principais fatores etiológicos associados ao desenvolvimento dessas lesões, destacam-se a exposição solar crônica, o tabagismo e o etilismo, os quais aumentam significativamente o risco de ocorrência da doença (INCA, 2022). Além disso, em regiões com baixos indicadores socioeconômicos, como os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, a desinformação configura-se como um fator relevante, contribuindo para a ausência do autoexame e para a baixa procura por atendimento odontológico regular. Nesse contexto, o Núcleo de Saúde Digital Móvel, vinculado ao Programa Universidade nas Comunidades da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), sob coordenação da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC) e da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), tem como objetivo desenvolver ações interdisciplinares voltadas à promoção e prevenção em saúde. Essas atividades são direcionadas a municípios e comunidades localizados nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, contribuindo para a ampliação do acesso à informação e aos serviços de saúde nessas regiões. Metodologia: Este estudo possui caráter descritivo e foi conduzido a partir de dados obtidos em ações realizadas pelo Núcleo de Saúde Digital Móvel, em colaboração com o Programa Universidade nas Comunidades (UFVJM). Os pacientes foram selecionados mediante classificação em grupo de risco, considerando fatores como tabagismo, etilismo e idade avançada. As avaliações foram realizadas por acadêmicos previamente instruídos, incluindo anamnese e exame clínico intra e extrabucal, com registro de informações sociodemográficas e condições de saúde, sob supervisão docente. As alterações bucais identificadas foram analisadas, sendo os pacientes orientados quanto à conduta, submetidos a intervenções quando necessário ou encaminhados para avaliação no setor de Estomatologia da UFVJM. Os atendimentos ocorreram em diferentes contextos socioeconômicos e os dados foram organizados em planilhas do Excel, sendo posteriormente submetidos à análise descritiva. Resultados: De 2025 ao primeiro trimestre de 2026, foram atendidos 285 pacientes, com faixa etária entre 35 e 75 anos, sendo identificadas 77 lesões distribuídas entre 10 municípios. Observou-se maior frequência de lesões traumáticas, como fibromas e hiperplasias, totalizando 17 casos, seguidas por 12 casos de candidíase, 9 de leucoplasia e 5 de queilite actínica. Além disso, após análise histopatológica, foram confirmadas 3 lesões malignas. Conclusão: Minas Gerais apresenta importantes desigualdades socioeconômicas, especialmente nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, o que impacta a oferta e a qualidade dos serviços de saúde. Fatores como falta de informação sobre higiene oral, a crença de que pacientes edêntulos não necessitam de acompanhamento, ausência de autoexame, uso de próteses mal ajustadas e exposição excessiva ao sol favorecem o desenvolvimento dessas lesões. Nesse cenário, o Núcleo de Saúde Digital Móvel da UFVJM, em consonância com o programa Universidade nas Comunidades, atua como estratégia de ampliação do acesso e de promoção da saúde. Os resultados evidenciam a relevância de ações de rastreamento de lesões orais em populações vulneráveis, favorecendo o diagnóstico precoce e o acesso ao cuidado em saúde bucal. Nesse contexto, o Núcleo de Saúde Digital Móvel destaca-se como uma estratégia efetiva na prevenção, na identificação de casos e na redução das desigualdades em saúde nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
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