Resultados das orientações de saúde bucal na gestação nos diferentes trimestres
Resultados de la orientación en salud bucal durante el embarazo a lo largo de los diferentes trimestres: una revisión crítica de la literatura
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v25.762Palabras clave:
saúde bucal, trimestres da gravidez, educação pré-natal, assistência odontológicaResumen
Introdução: O letramento em saúde bucal desempenha papel relevante na promoção de práticas preventivas e na tomada de decisões informadas durante a gestação. Evidências sugerem que condições bucais maternas estão associadas a desfechos adversos materno-infantis, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e maior risco de cárie na primeira infância. Nesse cenário, intervenções baseadas em educação em saúde e em teorias comportamentais têm sido propostas como estratégias para fortalecer o letramento em saúde bucal e ampliar a adesão ao cuidado odontológico na gestação. Visto que, a identificação do momento mais adequado para a oferta de orientações pode favorecer melhores desfechos materno-infantis e aprimorar a qualidade da assistência pré-natal, além de contribuir para a prevenção de agravos bucais. Objetivo: Analisar a eficácia de intervenções educativas e comportamentais relacionadas ao letramento em saúde bucal em gestantes, nos diferentes trimestres gestacionais. Metodologia: Trata-se de uma revisão crítica qualitativa de ensaios clínicos seguindo as recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e Cochrane, com um protocolo registrado (PROSPERO: CRD420251043895). A seleção dos estudos e a extração dos dados foram realizadas por quatro revisores independentes, sendo as discordâncias solucionadas por um quarto avaliador para identificar ensaios sobre intervenções educativas e comportamentais relacionadas ao letramento em saúde bucal em gestantes e à adesão ao cuidado odontológico. A seleção dos estudos, a extração de dados e a avaliação metodológica utilizando uma ferramenta baseada no CONSORT (Consolidated Standards of Reporting Trials). Resultados: Todos os estudos especificaram o período gestacional no qual as intervenções foram realizadas. Entre os oito ensaios analisados, apenas um apresentou alto nível de evidência, enquanto os demais evidenciaram limitações metodológicas, sobretudo em relação ao mascaramento e à ocultação da alocação. Embora as intervenções tenham sido aplicadas em diferentes trimestres, os resultados não foram estratificados, o que dificulta a determinação do período mais adequado para a realização das orientações. Observou-se que as taxas de parto prematuro foram semelhantes entre os grupos, enquanto o grupo intervenção apresentou melhora nos parâmetros periodontais e aumento no número de indivíduos saudáveis. Além disso, houve ampliação do conhecimento em saúde bucal e aumento do tempo de escovação, sem alteração na frequência diária. Os achados indicam que intervenções educativas durante a gestação exercem impacto positivo, principalmente no conhecimento das gestantes e em parâmetros periodontais. Contudo, a heterogeneidade metodológica e a ausência de padronização dos desfechos limitam a comparabilidade dos estudos e a elaboração de recomendações clínicas mais consistentes e aplicáveis à prática. Verifica-se que a maioria das intervenções foi conduzida nos dois primeiros trimestres, possivelmente em função da maior adesão ao pré-natal nesse período e da percepção de maior segurança para ações preventivas. Ainda assim, a falta de estratificação dos resultados por trimestre compromete a identificação do momento mais oportuno para tais intervenções. Adicionalmente, as limitações metodológicas, especialmente relacionadas ao mascaramento e à alocação, podem introduzir vieses e superestimar os efeitos observados. Dessa forma, reforça-se a necessidade de ensaios clínicos randomizados com maior rigor metodológico, que considerem a estratificação por trimestre e utilizem desfechos padronizados. Estudos futuros também devem investigar abordagens integradas no contexto do pré-natal, visando potencializar os efeitos das ações de promoção da saúde bucal durante a gestação. Conclusão: Conclui-se que apesar da melhora em indicadores de conhecimento e em alguns parâmetros clínicos, não foram identificados impactos significativos em desfechos mais robustos, como a redução da prematuridade, sugerindo que intervenções educativas isoladas podem ser insuficientes para modificar desfechos obstétricos complexos e multifatoriais.
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