Crianças com hipomineralização molar-incisivo tem um maior número de dentes cariados?
Um estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.61217/rcromg.v22.504Palavras-chave:
hipomineralização, molar incisivo, cárie dentária, criança, epidemiologiaResumo
Introdução:A hipomineralização molar-incisivo (HMI) refere-se a um defeito qualitativo do esmalte de origem sistêmica que afeta de um a quatro primeiros molares permanentes e frequentemente incisivos permanentes (Weerheijm et al., 2004). O dente hipomineralizado apresenta maior sensibilidade, esmalte mais poroso e com menor resistência mecânica, o que pode levar a rupturas pós-eruptivas do esmalte (Weerheijm et al., 2004). Com a redução da proteção do esmalte, a dentina fica exposta, podendo favorecer o acúmulo de placa dentária e possivelmente o desenvolvimento de lesões cariosas (Weerheijm et al., 2004; Americano et al., 2017). Outra explicação está relacionada à sensibilidade presente nos dentes hipomineralizados, o que dificulta a higienização e por consequência a remoção do biofilme, aumentando a suscetibilidade do desenvolvimento de cárie dentária, não somente nos dentes com HMI, mas também nos dentes adjacentes (Americano et al., 2017; Ebel et al., 2018; Mazur et al., 2023). Objetivo: Avaliar se a presença de HMI está associada a um maior número de dentes cariados em crianças escolares. Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo transversal com uma amostra de 347 crianças de 7 a 10 anos de idade na cidade de Diamantina, Brasil. Foram incluídos na pesquisa escolares de 7 a 10 anos de idade em que os quatro primeiros molares permanentes já tivessem erupcionados e seus cuidadores. Essas crianças deveriam estar regularmente matriculadas nas escolas selecionadas para o estudo. Foram excluídas crianças que se recusaram a participar da pesquisa e aquelas com deficiências neuropsicomotoras e/ou distúrbios cognitivos relatados pelos pais ou responsáveis.Os critérios do International Caries Detection and Assessment System (ICDAS) foram utilizados para determinar o número de dentes com cárie dentária moderada/extensa (ICDAS 3-6). A presença de HMI foi avaliada de acordo com os critérios da European Academy of Pediatric Dentistry (EAPD). Os dados sociodemográficos e relativos aos hábitos da criança foram obtidos por meio de questionário enviado aos cuidadores. Análises descritivas, testes Mann Whitney e Kruskal Wallis e Regressão de Poisson hierárquica foram realizados utilizando como unidade de análise a criança. A medida de associação foi demonstrada como Razão de Prevalência (RP) e intervalos de confiança (95%). Um valor de p<0,05 foi considerado significativo. Resultados: A prevalência de cárie dentária moderada/extensa foi de 39,2%, com uma média de 1,80 dentes afetados por cárie. Além disso, 20,5% das crianças apresentaram pelo menos um dente com lesões de mancha branca ou opaca (HMI) na cavidade bucal. Foi observada uma associação significativa entre o número de dentes com cárie moderada/extensa e diversas variáveis independentes, incluindo a escolaridade do cuidador, a renda mensal familiar, o consumo de açúcar, o índice de placa visível, a prática de escovação dentária e a presença de HMI (p< 0,05). Na análise multivariada, os resultados revelaram que o número de dentes com cárie moderada/extensa estava associado à presença de HMI na cavidade bucal da criança (RP=1,45; IC 95%= 1,03-2,04; p= 0,031). Além disso, essa condição estava associada a uma renda mensal familiar inferior a 1 salário-mínimo (RP=2,20; IC 95%= 1,31-3,69; p=0,003), ao consumo de açúcar (RP=1 ,82; IC 95%= 1,32-2,51; p<0,001) e ao índice de placa visível (RP=2,76; IC 95%= 1,93-3,93; p<0,001). Conclusão: O número de dentes cariados está associado à presença de HMI em crianças escolares.
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